25/07/2014

Jornalistas lembram erros e o que aprenderam com eles

Roberto Bueno | Universidade Metodista de São Paulo

Polícia invade o apartamento, ouve-se um tiro e de dentro sai carregada Eloá Cristina. Ela era refém do ex-namorado que não aceitava o fim do relacionamento. “Ela morreu!”, ouviu pelo telefone a repórter do jornal Folha de S.Paulo de seu interlocutor José Serra, governador do Estado de São Paulo - onde o sequestro se passou.

A secretária de redação decide publicar a informação na internet. Este não era um furo. Era uma barriga, pois a jovem não tinha morrido. Este fato ocorreria, porém, apenas, no outro dia.

Quem assumiu este erro foi Suzana Singer, secretária à época do ocorrido, durante o painel “Ooooops! O que grandes jornalistas aprenderam com seus grandes erros”, nesta sexta-feira (25) no terceiro horário de palestras, durante o 9º Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

Também participaram da apresentação o jornalista da Folha, Clóvis Rossi e o âncora e jornalista da RecordNews, Heródoto Barbeiro. Com mediação do jornalista João Paulo Charleaux, os três profissionais da imprensa citaram, cada um, três erros cometidos e o que aprenderam com eles.

Fatores

Entre os fatores que causaram erros citados pelos profissionais, estão a pressa em divulgar primeiro um fato antes dos concorrentes, a confiança em fontes porque a conheciam há muito tempo ou por causa do cargo que ocupavam e deduzir uma informação sem checar.

Abraço

O primeiro a expor seus erros foi Barbeiro. Ele contou sobre a entrevista com um “consultor” que estava divulgando o “abraço corporativo”. Realizada para o programa que o jornalista tinha na rádio CBN, a entrevista não chegou a ir ao ar, mas foi mostrada no filme “Abraço Corporativo”, documentário produzido com o intuito de mostrar a vulnerabilidade dos profissionais de imprensa, durante a produção de notícias.

 “Antes, no passado, a gente errava com pouca velocidade; agora, a gente erra mais fácil, porque a velocidade é muito maior”, alertou Barbeiro.

Pinochet

Rossi trabalhava na revista IstoÉ no final do anos 1970, à época em que o ex-ditador do Chile (1973 - 1990), Augusto Pinochet, falecido em 1996, enfrentava problemas com o empresariado do país.  “Estava louco para que a ditadura caísse e trabalhei o tempo todo me direcionando para a hipótese de que o governo estava realmente enfraquecido”. A hipótese foi estampada na capa de final de semana da revista com a manchete: “Pinochet – Cai ou não cai?”.

Pinochet realmente caiu, mas uma década depois. Clóvis Rossi considera que na ocasião deixou que desejos pessoais fizessem com que ele cometesse um erro. “Não gostava de ditadura e menos ainda da ditadura Pinochet”, conta o jornalista que teve muitos amigos chilenos perseguidos e mortos.

O 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio da Época, Vale, Google, Estadão, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, Gol, TAM e UOL e apoio de Associação Nacional de Jornais (ANJ), Conspiração Filmes, Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo, Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Revista Piauí, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Comunique-se, Knight Center, Revista Imprensa, Lincoln Institute of Land Policy, OBORÉ Projetos Especiais, Textual, Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.