30/06/2017

Fact checking é tema em seminário de jornalismo investigativo

Estudantes apresentam novo projeto de checagem de notícias durante 12º Congresso da Abraji

Diana Fernandes (UNB) apresenta pesquisa durante seminário do 12° Congresso da Abraji. Foto: Alice Vergueiro.
Por Pâmela Ellen

Inspirados pela experiência de checagem de informações das agências Lupa e Pública, alunos da Pontifícia Universidade Católica do Pará (PUC/PA) desenvolveram o projeto “Checking Mate”.

Jornalistas contam bastidores de reportagens premiadas em situações de violência e crises políticas

Abraji Talks reúne dois exemplos de trabalhos que contrariaram o ceticismo sobre o jornalismo atual e expõem crimes cometidos ou ocultados pelo Estado

Esta é a segunda edição do AbrajiTalks, que segue os mesmos padrões de depoimentos individuais do TEDTalks. Foto: Alice Vergueiro.

Por Agnes Sofia Guimarães

Na madrugada do dia 6 de janeiro de 2016, um grupo de manifestantes que acampavam em frente ao Palácio da Prefeitura de Apaztzingán (cidade mexicana com pouco mais de 120 mil habitantes) foi surpreendido por gritos de “¡Mátenlos como perros!” (Matem-os como cachorros) vindos de policiais armados e que não demoraram a atirar contra os acampados. Às vítimas, só restou a defesa com paus e armas brancas, além de rendições respondidas com execuções à queima-roupa pelos policiais. Horas depois do primeiro ataque, familiares e amigos vieram socorrer os sobreviventes quando foram vítimas de mais disparos. Ao todo, foram 16 mortos e dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças. 

Como o Design Thinking pode ajudar os jornalistas?

Para Adriana Garcia Martinez, processo é essencial para se entender o público alvo e o mercado em que se deseja entrar

Adriana Garcia (Orbital Mídia) fala como o design thinking pode ajudar os jornalistas. Foto: Alice Vergueiro.
Por Caroline Bueno

“É uma caixa de instrumentos para navegar a incerteza”. É assim que a jornalista e criadora do Orbital Mídia, Adriana Garcia Martinez, define o conceito de Design Thinking, que também pode ser entendido como um conjunto de estratégias amplamente utilizadas no mundo empresarial para entender melhor o modelo do negócio em que se planeja entrar.

Para Dimmi Amora, ler os clássicos é essencial para escrever reportagens de fôlego

Entre os prediletos do jornalista, estão Gabriel García Márquez e John Hersey



Por Beatriz Sanz
Em um mundo onde, cada vez mais, as informações chegam através de tweets e memes no Facebook, os jornalistas lutam para fisgar os leitores com textos mais longos, o que de acordo com Dimmi Amora não é impossível, pois as pessoas ainda se encantam com boas histórias.

"O erro é um tabu no jornalismo brasileiro", afirma Thaís Bilenky

Repórteres relatam falhas na cobertura e como os equívocos geram aprendizado sobre o fazer jornalístico

Thaís Bilenky (Folha de S.Paulo) fala sobre o que grandes jornalistas aprenderam com seus erros. Foto: Alice Vergueiro.
Por Jeniffer Mendonça

Casos emblemáticos como o da Escola Base costumam causar arrepios nas redações. O painel "Ooops! O que grandes jornalistas aprenderam com seus erros", realizado durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, abordou a importância da discussão das falhas na produção de reportagens como um caminho para a aprimorar o jornalismo. 

Jornalista explica como repórteres podem aprender a interpretar e representar dados

Profissional que está à frente do Google News Lab no Brasil ensina repórteres a transformar tabelas e planilhas em mapas com o Fusion Table

Marco Túlio Pires (Google News Lab) fala sobre o Google Fusion Tables. Foto: Alice Vergueiro.
Por Matheus Moreira

O uso de dados para a construção de reportagens não é novidade no jornalismo. Com as novas tecnologias, as possibilidades se tornaram ainda mais extensas. O surgimento dos computadores e a popularização da internet nas últimas duas décadas facilitaram, ao mesmo tempo em que dificultaram, a criação de tabelas e planilhas. Hoje, códigos e programas que resolvem parte dos problemas de antes instigam profissionais da comunicação.

Mulheres jornalistas sofrem com assédio e falta de segurança no trabalho, aponta pesquisa

Levantamento qualitativo realizado por Abraji e agência Gênero e Número teve assédio moral e sexual como reclamações recorrentes entre profissionais brasileiras

Natália Mazotte (Gênero e Número), Verônica Tostes (UFRJ), Alana Rizzo (Abraji) e Maiá Menezes (O Globo) em painel sobre gênero no jornalismo. Foto: Alice Vergueiro.
Por Maria Silvia Lemos e Sheyla Melo

Embora as mulheres sejam maioria nas redações brasileiras, assédio sexual e moral, desigualdade salarial e falta de segurança no trabalho são situações recorrentes pelas quais passam as jornalistas de diferentes veículos de comunicação. Este cenário foi descrito durante a apresentação dos resultados parciais da pesquisa Mulheres na Mídia, realizada pela Abraji, em parceria com a Gênero e Número, agência independente de jornalismo de dados. 

“O que eu gostaria que tivessem me dito”: dicas para ser um bom “foca”

Para veteranos do jornalismo, curiosidade, persistência e otimismo são as principais características que formam um bom jornalista

Clóvis Rossi (Folha de S.Paulo) fala sobre o que gostaria que lhe tivessem contado quando era foca. Foto: Alice Vergueiro.
Por Luana Nunes

Para um jornalista, desistir no primeiro “não” é o maior erro. Porém, não basta apenas acreditar, tem que ser persistente e muitas vezes contar com a sorte. “Consegui meu primeiro emprego graças ao porteiro (do jornal), quando ingressei no Diário de Noticia”, relata Elvira Lobato ao iniciar a roda de conversa “O que eu gostaria que tivessem me dito quando eu era foca”, realizada durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. 



Startups de jornalismo: as dificuldades de ser seu próprio chefe

Dois dos maiores obstáculos desse tipo de empreendimento são conseguir conciliar a reduzida verba anual e a produção de conteúdo, mesmo operando sem margem de lucro


Tai Nalon (Aos Fatos) fala sobre como criar uma startup de jornalismo. Foto: Alice Vergueiro.
Por Karine Seimoha

Com as redações cada vez mais enxutas, muitos jornalistas tiveram que usar a cabeça para continuar trabalhando na área, após sair das redações de grandes jornais. No 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado em São Paulo, Sérgio Spagnuolo, do Volt Data Lab, e Tai Nalon, de Aos Fatos, comandaram o painel “O que é preciso para começar uma startup de jornalismo”, em que falaram sobre as dificuldades de gerir a própria empresa.


Para Carlos Wagner, é preciso fugir dos "relatórios" da Lava Jato para combater "voto de cabresto" em 2018

Homenageado do 12º Congresso da Abraji, repórter gaúcho ressalta a importância de não se debruçar apenas sobre as teses dos juízes e delegados do caso   

Carlos Wagner, jornalista homenageado no prêmio especial da Abraji de contribuição ao jornalismo. Foto: Alice Vergueiro.
Por Cristiane Paião, Ruam Oliveira e Priscila Sanches

Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, quando Carlos Wagner subiu ao palco na tarde desta quinta-feira (29), com toda a sua "irreverência" subiu também um outro objeto, digamos, inusitado: um pedaço de guardanapo de papel que, aliás, era o rascunho do próprio discurso de agradecimento do jornalista que faz questão de deixar bem claro o lado em que gosta de jogar, isto é, o da reportagem. Segundo ele, existem "apenas" dois lados neste mundo: o do "bem", onde estão os repórteres; e o do "mal", onde ficam os editores...

Repórter afirma que brecha no sistema eletrônico do STF entregou lista de Fachin

Jornalistas responsáveis por furos, em Brasília, compartilham seus truques para a cobertura política
Breno Pires (Estadão) e Bela Megale (Folha de S.Paulo) falam sobre os furos no caso Odebrecht. Foto: Alice Vergueiro.
Por Fidel Forato

Furos jornalísticos das grandes operações investigativas e acordos de leniência, em Brasília, vem monopolizando as pautas da imprensa, ainda mais quando o assunto é a tão especulada delação da Odebrecht. Para discutir a cobertura dessas investigações, Breno Pires, d’O Estado de São Paulo, e Bela Megale, da Folha de S. Paulo, discutem o tema no segundo dia do 12º Congresso da Abraji.


Médicos Sem Fronteiras oferece rede de apoio a jornalistas

A organização de ajuda humanitária produz material específico para auxiliar a cobertura da imprensa, agenda entrevistas internacionais e agora tem um canal direto no Twitter

Ana Lemos (Médicos Sem Fronteiras) fala sobre o Guia de Fontes em Ajuda Humanitária. Foto: Alice Vergueiro.

Por Maria Vitória Ramos

Médicos Sem Fronteiras apresentou aos jornalistas presentes no 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, da Abraji, toda a estrutura de apoio à cobertura da imprensa no Brasil.

Jornalistas premiados criam grupo de investigação baseado na equipe Spotlight

GDI reúne repórteres prestigiados dos principais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul

Carlos Etchichury, Humberto Trezzi e Jonas Campos falam sobre os bastidores do Grupo de Investigação da RBS. Foto: Alice Vergueiro.
Por Aline Barbosa

Inspirado na equipe de jornalismo investigativo americana Spotlight, dez prestigiados repórteres brasileiros que atuam nos veículos Zero Hora, RBS TV e Rádio Gaúcha criaram há seis meses o Grupo de Investigação (GDI). 


Ferramentas de dados estão mais acessíveis e dinâmicas para os jornalistas

Especialistas apresentam dicas de como obter pautas a partir de bancos e planilhas para quem ainda não está familiarizado com estatísticas e programação 

Jardim Duarte (JOTA) afala sobre manuseio de grandes bases de dados através de SQL1. Foto: Alice Vergueiro.
Por Agnes Guimarães 

Com a Lei de Acesso à Informação e a disponibilidade de bancos de dados dos principais órgãos públicos brasileiros, ficou mais evidente a necessidade do Jornalismo de Dados para análises coesas e a elaboração de narrativas dinâmicas.Porém, se ao mesmo tempo existem métodos de programação e estatística mais avançados, há um público que ainda não está familiarizado com essas ferramentas mas pode utilizar técnicas mais simples. 


Para jornalista, Lava-Jato mudou o paradigma na cobertura de empresas

Âncora da CBN, Fernando Molica aponta mudança de cultura na imprensa após início da operação

Felipe Coutinho (BuzzFeed News) e Fernando Molica (CBN Rio/Abraji) falam sobre dicas e técnicas de investigação de empresas. Foto: Alice Vergueiro.
Por Maria Vitória Ramos

Para Fernando Molica, âncora da rádio CBN Rio e diretor da Abraji, a Lava-Jato foi responsável por uma mudança de paradigma na cobertura de casos de corrupção de empresas. De acordo com o repórter, a operação direcionou o interesse da imprensa a focar nas ações do corruptor - geralmente os atores privados - e não mais exclusivamente no corrompido.

Abraji lança projeto "Tim Lopes" para investigar crimes contra jornalistas

Além de revelar os bastidores dos crimes, o objetivo é dar continuidade às investigações   


Tânia Lopes, irmã de Tim, com Thiago Herdy, presidente da Abraji. Foto: Alice Vergueiro.

Por Cristiane Paião

É a ideia de um formigueiro. "Se você pisar em uma formiga, o formigueiro todo vai subir na sua perna. Então, se matarem um jornalista - ainda que lá no interior do Brasil - um grupo de repórteres da Abraji vai investigar", explica Thiago Herdy, presidente da Abraji, no lançamento do projeto "Tim Lopes" realizado nesta quinta-feira (29) na Sessão Especial do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. 

Vídeos para internet não precisam ser curtos, diz editor da Vox

Javier Zarracina deu dicas sobre como usar recursos gráficos em matérias jornalísticas no 12º Congresso da Abraji


Javier Zarracina (Vox) fala sobre o sucesso do vox.com. Foto: Alice Vergueiro

Por Sara Baptista

No painel "Vox.com: sucesso de público, crítica e caixa usando visualização de dados", que aconteceu nesta sexta-feira (30), Javier Zarracina afirmou que “os vídeos têm o tempo que a história precisa para ser contada”. Para o infografista espanhol e editor gráfico da Vox.com, após decidir a pauta a equipe deve desenvolver o produto tanto quanto for necessário para explicar bem o conteúdo “se precisarmos fazer uma série, vamos fazer”, afirma. Ele justificou sua opinião citando o vídeo mais longo que a Vox já produziu, sobre a guerra na Síria, que atingiu a marca de um milhão de curtidas.


Como cobrir epidemias com poucos recursos

Acesso a dados da zika e da febre amarela foram problemas na apuração das reportagens

Fabiana Cambricoli (Estadão) em palestra sobre a evolução de crianças de microcefalia. Foto: Alice Vergueiro.

As formas de contar as epidemias recentes de zika e febre amarela com orçamentos enxutos para acompanhamento próximo ganharam destaque nesta sexta, 30, na mesa “Histórias de epidemias: as vidas afetadas pela zika e pela febre amarela”, no 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, da Abraji.


Congresso da Abraji reúne pesquisadores para discutir tendências em jornalismo investigativo

Seminário realizado nesta sexta, 30, apresentou artigos acadêmicos de todo o Brasil relacionados ao tema


Marcelo Träsel (UFRGS/Abraji) medeia o seminário de pesquisa sobre jornalismo investigativo. Foto: Alice Vergueiro
Por Ariadny Brito

Com o intuito de aproximar a academia do mercado e expor temas focados em pesquisas de Jornalismo Investigativo, o 12º Congresso da Abraji realizou a quarta edição do Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo, nesta sexta-feira, 30. O evento contou com apresentações de artigos acadêmicos produzidos por pesquisadores selecionados através de chamada pública. 



“O jornalismo está no DNA do Twitter”, afirma o diretor do microblog

Leonardo Stamillo apontou que soluções inovadoras e novas ferramentas têm sido desenvolvidas para auxiliar na distribuição de conteúdo online

Leonardo Stamillo (Twitter) fala sobre as novas ferramentas do microblog no jornalismo. Foto: Alice Vergueiro
Por Luan Ernesto Duarte

O Twitter tem expandido o acervo de suas ferramentas para jornalistas e oferecido orientação para grandes redações sobre gestão de conteúdo. Além de usada como “um gatinho de links”, a plataforma tem se mostrado também uma solução inovadora para divulgação de material. O assunto foi apresentado no stand do Twitter, nesta sexta-feira, 30, durante o 12° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Globo e Abril apostam em modelo de assinaturas digitais para financiar jornalismo

Rodrigo Perez e Luciano Touguinha, profissionais das áreas comerciais das empresas, falam sobre as saídas para a crise nos modelos de negócio do jornalismo

Luciano Touguinha (Grupo Globo/InfoGlobo) fala sobre modelos de assinaturas digitais. Foto: Alice Vergueiro
Por Daniela Arcanjo

As novas tecnologias da informação impõem um desafio às empresas tradicionais de jornalismo. Antes com um modelo consagrado de venda de espaço ou tempo em jornais impressos e telejornais, hoje os meios de comunicação precisam se adaptar ao financiamento em ambientes digitais . Como bancar o bom jornalismo?

“Delação sem prova não vale nada”, afirma ex-delegado da PF na Lava Jato

Marcio Anselmo trabalhou até o começo do ano na equipe de investigações da Lava Jato

André Guilherme (Valor Econômico) e Marcio Adriano Anselmo (Polícia Federal) discutem os bastidores da Lava Jato. Foto: Alice Vergueiro
Por Ana Carolina Marcheti


Responsável pela investigação originária do escândalo de corrupção na Petrobras, Marcio Adriano Anselmo é delegado da Polícia Federal há onze anos e saiu da Operação Lava Jato em fevereiro. Para ele, um dos papéis principais da operação, para o público em geral, foi que desde as primeiras fases das investigações as informações que antes ficavam escondidas passaram a ser democratizadas, através dos portais eletrônicos.


29/06/2017

“Não existe lobby do mal, existe crime”, defende Rizzo

Segundo a diretora da Abraji, a atividade é legal e criminalizá-la prejudicaria todo o processo democrático no Brasil

A jornalista Alana Rizzo na mesa "Lobby sem lei".  Foto: Alice Vergueiro


Por Stéfanie Rigamonti

Prática altamente regulamentada nos Estados Unidos da América, o lobby, embora seja legalizado no Brasil, ainda não possui regulamentação. Por essa razão, acaba servindo como disfarce para ações ilícitas de agentes do setor privado e para o tráfico de influências, manchando a reputação dos profissionais que atuam na área. A prática, entretanto, faz parte do processo democrático, defende Alana Rizzo, repórter e diretora da Abraji.



Fake News: como identificar notícias falsas

Medidas como checar informações e a confiabilidade de fontes podem evitar o leitor de ser enganado e compartilhar notícias falsas nas redes sociais

Carlos Eduardo (Columbia), Angela Pimenta (Projor), Luis Renato (Facebook) e Sérgio Dávila (Folha) em mesa sobre as "fake news". Foto: Alice Vergueiro

Por Karine Seimoha

As “fake news” se tornaram um verdadeiro problema para quem trabalha com jornalismo no Brasil nos últimos tempos. Graças a popularização das redes sociais, as portas da produção de conteúdo foram abertas ao público em geral e, com isso, surge uma nova questão: o compartilhamento de notícias que não correspondem à realidade. Esse foi o tema da discussão do painel “Pós-verdade, credibilidade e inteligência digital: jornalismo no fogo cruzado”, realizado durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo. 



Diversidade racial e de gênero avança pouco nas redações, relatam jornalistas

Desigualdade se reflete na ocupação de cargos de liderança e gera discussão sobre a influência do perfil do jornalista na realização de reportagens 

Renata Moraes (ImpulsoBeta), Paula Martins (ONG Artigo 19) e Claudia Nonato (ECA/USP) falam sobre as questões de gênero no jornalismo.  Foto: Alice Vergueiro

Por Jeniffer Mendonça e Sheyla Melo

Segundo levantamento realizado em 2012 pela FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e a Universidade Federal de Santa Catarina, as mulheres representam 65% das redações, mas não estão presentes em cargos de liderança em grandes veículos. “O jornalismo é mais um segmento que reflete que homens e mulheres estão longe de atingir um nível de igualdade”, afirmou Renata Moraes, CEO e fundadora da ImpulsoBeta, empresa de estratégia para promoção da diversidade de gênero no mercado de trabalho.


Os 5 mandamentos do freelancer bem-sucedido

O jornalista e empreendedor Alexandre de Santi compartilha seus erros e aprendizados após 10 anos fora das redações 

Veronica Goyzueta (BCReport/ABC) e Alexandre de Santi falam sobre a experiência de freelancer. Foto: Alice Vergueiro



Por Maria Vitória Ramos

Durante o consultório “Como viver de freela?”, do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, o jornalista e fundador da Agência Fronteira, Alexandre de Santi, realizou sessão interativa com jovens jornalistas que pretendem iniciar a carreira em voo solo e profissionais já experientes em grandes redações que agora buscam se reinventar. A transformação do mercado de jornalismo é tema recorrente no evento.

Editora de ‘ITunes de notícias’ aponta caminhos para financiar jornalismo

Micropagamentos e diversidade de conteúdos fazem parte da estratégia da startup Bendle

A jornalista holandesa Jessica Best em palestra sobre o Blendle. Foto: Alice Vergueiro 


Por Fidel Forato

Entre os desafios do jornalismo na atualidade está a dificuldade em gerar uma receita viável e que seja capaz de sustentar uma redação capacitada. Numa tentativa de trazer novas alternativas para esse cenário, a editora chefe de redação da startup Blendle, Jessica Best, compartilhou suas experiências no 12º Congresso da Abraji, nesta quinta (29), em São Paulo.

Empresas aderem à gestão de governança transparente



Curso com Fernando Torres (Valor Econômico) sobre investigação de dados de grandes empresas. Foto: Alice Vergueiro

Aumentar a qualificação e romper com a resistência à liberação de dados de interesse público é um dos diferenciais de grandes empresas no cenário atual

Por Fernanda Santos e Luana Nunes

Atualmente, grandes empresas buscam cada vez mais disponibilizar suas informações por meio de portais de transparências. Porém, para quem não é familiarizado com essas ferramentas, encontrar esses dados não é tarefa fácil.

Durante o painel “Como investigar empresas com dados públicos”, o jornalista e colunista do Valor Econômico Fernando Torres tratou dos principais mecanismos para a obtenção de documentos públicos.

Em um minicurso para jornalistas, Torres explicou a importância das bases de dados de empresas e ensinou caminhos para explorá-las. Sites oficiais como o Diário Oficial e CVM (Comissão de Valores Mobiliários) disponibilizam informações com detalhes minuciosos de instituições públicas e privadas.

A Receita Federal é o site mais utilizado para pesquisar dados de corporações. Ele disponibiliza informações sobre razão social, nome fantasia, logradouro e se a empresa se encontra ativa ou não para o mercado. Porém, segundo Torres, essa busca não proporciona a quantidade de detalhes que deveria conter.

É possível encontrar nesses portais todos os relatórios referentes a essas entidades, desde nomes de sócios até processos e dividas no mercado com prazo para pagamento ou não. Já negócios menores e com pouca visibilidade no mercado de investidores não possuem essa mesma obrigação, sendo interessante para eles, porém, disponibilizarem suas informações para atrair investidores e se alavancarem no mercado que atuam.

Torres também explicou o que são as Bolsas “Nível 1”, “Nível 2” e “Novo Mercado”, que se referem às empresas mais tradicionais, e explicou como funciona esse posicionamento no mercado e como isso interfere no banco de dados de cada uma delas. Conforme o colunista, empresas recém-formadas não fazem parte dessas três listagens.

De acordo com o jornalista, o intuito de diferenciar as empresas em níveis é atrair mais investidores e espantar a desconfianças de clientes ao tornar mais claro quais dessas instituições seguem boas práticas de governança.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Plataformas independentes desafiam o monopólio do eixo RJ-SP


Os idealizadores dos projetos Meus Sertões, Marco Zero e Livre.jor compartilharam os percalços para expandir e democratizar o centro de produção jornalística no País

Por Maria Vitória Ramos

Com o avanço da tecnologia, os custos de produção e distribuição de informações foram reduzidos, permitindo a consolidação de novos negócios independentes fora do polo comercial do País. Esse tema foi debatido na mesa Novo Jornalismo fora do eixo RJ-SP, durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Após ser demitido em um corte coletivo no Jornal da Tarde, Paulo Oliveira decidiu se afastar de vez da mídia tradicional e perseguir sua paixão: contar as histórias das pessoas esquecidas. Criou o projeto Meus Sertões e trocou de meio definitivamente. “Jornal para mim acabou, não tem mais função social. Trabalhei por muito tempo com uma listinha de nomes que não podia mencionar embaixo do meu computador”, relembra Oliveira.

Hoje, ele busca apresentar o sertão brasileiro com uma nova narrativa, distante do estereótipo da família raquítica fugindo da seca, que povoa o imaginário dos paulistas e cariocas. Apesar do caráter regionalista de suas publicações, ele garante que, com a internet, não existe mais uma esfera local. “Os meus temas são universais. Falo da cultura moura, negra, branca e indígena, e atraio muito acesso de outros estados”, conta.

No nordeste, a Marco Zero Conteúdo, 
criado pela jornalista Carol Monteiro, é pioneira no desenvolvimento do jornalismo investigativo na região. Voltado especialmente para a capital e o interior de Pernambuco, o coletivo está estruturado em três pilares: Direitos Humanos, direito à cidade e democracia e liberdade. 

Em dois anos, a iniciativa já publicou mais de 400 conteúdos. Durante a eleição de 2016, firmou parceria com a Agência Pública no projeto de checagem Truco no Congresso, em que foram responsáveis pelo fact-checking das candidaturas para a Prefeitura de Recife. O projeto isolou-se dos espaços tradicionais, mas esse fato teve um contraponto positivo: a organização ganhou credibilidade dentre os jovens e foi o único veículo de comunicação autorizado a entrar nas ocupações das escolas no estado.

Para criar a Marco Zero, Monteiro estudou os mais diversos projetos de jornalismo independente que surgiam no País, à época, tentando encontrar a tão procurada fórmula para viabilizar financeiramente esse tipo de empreendimento.

As dificuldades de conseguir rentabilizar o modelo de negócio aflige também outro projeto. “Trazemos mais dúvidas acerca do financiamento do que respostas”, anunciou um dos criadores do Livre.jor, João Guilherme. O modelo que persiste no veículo é a ideia de não cobrar do consumidor final.

Situado em Curitiba, o Livre.jor é um portal de jornalismo fundamentado a partir de dados públicos e pautado principalmente pelo Diário Oficial da região. No ano passado, lançou o desafio de fazer uma reportagem por dia tendo como base a Lei de Acesso à Informação - iniciativa semelhante ao paulista Fiquem Sabendo, do jornalista Leo Arcoverde.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Cresce número de estudantes que escolhem livro-reportagem para o TCC


Apesar das dificuldades, Trabalho de Conclusão de Curso ganha liberdade na criação, e abre caminhos para investigações e textos autorais

Por Dominique Tuane

Juntar a reportagem e o literário em um trabalho de fôlego é uma forma de poder fugir do padrão diário da cobertura factual. Por conta disso muitos jornalistas, já antigos na carreira, estão escrevendo os seus livros. E também a nova geração de repórteres investe nesta vertente, muitos ainda durante faculdade.

As ex-alunas da Faculdade Cásper Líbero, Ana Carolina Lazarini, Luiza Donatelli e Mariana Sicchi são autoras do livro “Entre Véus e Vozes”, abordando histórias de mulheres que moram no Brasil e usam o véu por causa da religião. Todas as dificuldades que passam com o preconceito, a luta pelo respeito e os desafios de conviver com pessoas que não as compreendem, estão nos relatos. O tema foi escolhido por própria curiosidade das três, que não sabiam muito sobre assunto. Decidiram que escrever um livro seria a melhor opção para não limitar o tema.

André Molina Carmona, formado pela Faculdade FIAM-FAAM é autor do livro “Nós Somos os MODS”, que fala sobre um estilo musical e comportamental da cena cultural britânica dos anos 60, também adotado por jovens no Brasil. Conta histórias de músicos, bandas, colecionadores e simpatizantes que aderiram à essa cultura e mostra que o conhecimento da música também conta uma história política, social e experiências de vida.

Os jovens jornalistas, desde o início, já tinham intenção de escrever um livro-reportagem para o trabalho final do curso, e nunca tiveram uma segunda opção em mente. Foi preciso em média um ano para a produção, com apoio dos seus orientadores e muita organização.


O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Jornalistas ainda encontram barreiras no uso da Lei de Acesso à Informação


Repórteres compartilham experiência em grandes reportagens utilizando a Lei de Acesso à Informação e Portal de Transparência

Por Nathália Durval

Após cinco anos da Lei de Acesso à Informação, que regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas, jornalistas ainda encontram dificuldades com a transparência de órgãos públicos. Este foi o debate central do painel “Acompanhando as políticas públicas com ferramentas de transparência” durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

As jornalistas Alana Rizzo, repórter da revista Época, Débora Salvador Hous, formada pela UFPR, e o repórter do Estadão Dados Daniel Bramatti, com mediação de Otávio Moreira Neves, diretor de Transparência e Controle Social da Controladoria-Geral da União (CGU), compartilharam a partir de suas experiências dicas de como utilizar as ferramentas para cruzar dados públicos e criar pautas de grandes reportagens.

Descobertas

Débora Salvador Hous, ainda como estudante da Universidade Federal do Paraná (UFPR), aos 25 anos, descobriu através de informações obtidas pela Lei de Acesso à Informação um esquema de desvio de 7,3 milhões em bolsas na UFPR. Após reportagens publicadas no jornal Gazeta do Povo com dados obtidos pela estudante, a Polícia Federal abriu uma investigação sobre os desvios e foi criado de um comitê de gestão de bolsas na Universidade. “O mais legal dessa reportagem é o quanto ela inspira as pessoas a descobrir que existe a Lei de Acesso e irem atrás de dados públicos”, compartilha Débora.

Daniel Bramatti falou sobre a série de reportagens publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre gastos elevados do FIES com levantamento do Estadão Dados, com base em informações do Portal da Transparência. A pesquisa lhes rendeu o prêmio Esso de Jornalismo em 2015, e levou a então presidente Dilma Roussef a admitir que o Governo Federal cometeu erros no FIES e a fazer alterações na gestão do financiamento.

Direito à reposta

De acordo com a Lei, o órgão público tem até 20 dias para enviar uma resposta, a contar da data do pedido, que pode ser estendido por mais 10 dias com justificativa. Caso se recuse a passar as informações, o solicitante tem até 10 dias para recorrer e deve fazê-lo ao servidor superior que possui a informação. Em último caso, recorre-se à CGU.

Os jornalistas têm relatado muitas respostas negativas às solicitações e contam como lidam com a situação. A jornalista Alana Rizzo compartilha o que tem adotado nestas situações: “Toda vez que me negam um pedido, eu pego o nome, cargo e o motivo da negativa e faço uma denúncia dentro do próprio órgão. Isso tem tido um efeito positivo.”

Otávio Neves, afirma que as universidades públicas são os órgãos que mais omitem informações solicitadas pelas ferramentas de transparência. “Dentre os pedidos, a taxa de omissão é de 0,37%. Ou seja, de cada mil solicitações, três ficam sem resposta”.

Se há uma desconfiança sobre uma informação pública – em programas e projetos do Governo -, qualquer pessoa pode e deve verificar, usando os portais de acesso a dados, relatam os jornalistas. “Isso força o governo a alterar a forma que ele lida com as políticas públicas, diz a jornalista Alana Rizzo.

Novo Portal da Transparência

O diretor de Transparência e Controle Social da Controladoria-Geral da União, mostrou em primeira mão as novidades no Portal de Transparência que serão lançadas no final do ano. A ideia é criar uma plataforma mais visual e com maior facilidade de acesso aos dados sobre contas, contratos, licitações, despesas e receitas públicas.

“O portal foi criado em 2004 e hoje está sofrendo bastante com o desnível tecnológico”, afirma Neves. A proposta é trazer uma base de dados abertos mais estruturada, com nova ferramenta de busca para diminuir as dificuldades no acesso das informações. Entre as novidades, será possível se cadastrar para receber notificações sobre uma área ou órgão de interesse. “São ferramentas que vão ajudar a monitorar as políticas públicas. Vamos ter um trabalho de melhor acompanhamento das execuções orçamentárias”, conclui.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Coberturas internacionais que envolvem riscos exigem pré-produção e cuidados dos repórteres

Johanna Nublat, Patrícia Campos Mello e Fabiano Maisonnave discutem a cobertura da crise migratória. Foto: Alice Vergueiro.

Por Géssica Brandino

Estabelecer contatos com outros profissionais que já estiveram em campo e pesquisar ao máximo o local são essenciais para aprofundar a cobertura e aproximar o leitor de outras realidades. O repórter, colunista e enviado especial da Folha de S.Paulo em Manaus, Fabiano Maisonnave, acompanhou no início do ano a travessia de brasileiros que tentam chegar aos Estados Unidos via Bahamas. Para contar a história que desejava, Fabiano recorreu à técnica da infiltração, se passando por outra pessoa e omitindo a informação de que era repórter, prática que ele próprio não recomenda. “Não é uma decisão fácil. O risco é enorme”, destaca.

Maisonnave havia estudado a fundo a realidade da migração no território e levantado todos os riscos que teria ali. “Jornalista precisa ter mais dúvidas do que certezas”, aconselha. Fazer a travessia até os Estados Unidos se mostrou inviável – era preciso pagar US$ 12 mil dólares, o que o jornal negou – mesmo assim, Fabiano pode viajar ao lado de brasileiros deportados e contar a história daqueles que estiveram presos no Panamá após a tentativa de atravessar a fronteira. 

Já a jornalista Johanna Nublat teve um percurso diferente para chegar ao destino de reportagem: a capital da Coreia do Norte. Ela foi correspondente na China pela Folha de S.Paulo e o desejo de conhecer a capital norte-coreana era antigo. A oportunidade veio no último ano, a convite da associação de cientistas sociais do país, com visto de trabalho pela embaixada. Mesmo ciente das limitações que teria ao fazer uma viagem guiada, a repórter aceitou e passou sete dias em Pyongyang, capital pelo país, em setembro.

“Foi a melhor experiência da milha vida, apesar de querer sair de lá todos os dias”, relembrou a repórter. O registro da viagem foi feito no bloco de anotações e num diário de sensações, descrevendo o medo que sentia de infringir alguma das regras básicas no país e acabar presa. “O que mais dificultou foi ter que ficar o tempo todo pisando em ovos”, sintetiza.

Na lista de seis mandamentos que Johanna formulou para jornalistas que desejam ir a Pyongyang, lições que seguiu à risca durante a cobertura: nunca se afastar do guia; não dobrar o jornal com a foto de Kim Jong-un, líder do país; não dizer Coreia do Norte, pois lá não se fala assim; não levar livros perigosos; não tirar fotos despreocupadamente; e levar dinheiro, porque não é possível usar cartão de crédito ou débito.  

Atenta às brechas e sem fazer abordagens bruscas ou contrariar os guias que lhe acompanhavam, Johanna conseguiu fazer questões que pretendia. Essencial para isso, foi a troca de informações com outros profissionais que estiveram na Coreia do Norte anteriormente e lhe ajudaram a perceber as limitações que teria. Para Fabiano, o contato prévio e a pesquisa feita pela equipe da Folha também foram essenciais. “Uma reportagem bem-sucedida raramente é trabalho de uma pessoa só”, frisa. 

Acesse as reportagens:



O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

“Se é biografia jornalística, ficção nunca”, ressalta Plínio Fraga

Carlos Maranhão (à esquerda) e Plínio Fraga (à direita) discutem estrutura de biografias. Mediação de Thiago Herdy (centro). Foto: Alice Vergueiro
Por Caroline Bueno de Oliveira

As biografias passaram a ser escritas por profissionais do jornalismo há poucas décadas no Brasil. O ambiente, que antes era dominado por historiadores, ganhou contornos jornalísticos tanto na apuração quanto na construção da narrativa, definida como “mais fluida” pelo jornalista e biógrafo Plínio Fraga, no 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. O tema foi discutido na mesa “O desafio de escrever biografias”.

Segundo Fraga, autor da biografia Tancredo Neves, o príncipe civil, não só as técnicas mudaram, mas também o objetivo da obra ao narrar um acontecimento ou a história de um personagem. Os historiadores partem do eixo histórico do acontecimento, enquanto jornalistas “têm a função de deixar o texto menos técnico”.

Um dos exemplos citados por Fraga é o livro O paciente: o caso de Tancredo Neves, em que o autor e médico Luís Mir narra o caso a partir de uma visão da medicina, permeado de conceitos técnicos que deixam a escrita menos arejada.

Ficção ou realidade?

Carlos Maranhão, jornalista e autor de Roberto Civita, o dono da banda, entende que as biografias estão no escopo do trabalho jornalístico. “A forma pode ser um traço de quem escreve, mas precisa sempre partir de fatos”, conclui o jornalista que trabalhou mais de 40 anos na Editora Abril.

“Se a biografia é jornalística, deve se esperar a realidade, a ficção nunca”, afirma Fraga. O autor, que já passou por veículos de comunicação como Folha de S. Paulo e revista piauí, acredita que há uma confusão entre as técnicas jornalísticas, como a fluidez do texto e a construção de uma forma que traga surpresas para o leitor, e as ficcionais.

Mesmo as memórias das fontes, que são reconstruídas constantemente a partir do presente, devem ser cruzadas e comprovadas de acordo com a apuração. “Não posso trabalhar somente com uma fonte, eu devo reconstruir relatos a partir de vários registros documentais e testemunhais para checar, contradizer e contrapor”, entende Fraga.

“Claro que não é a versão verdadeira, no entanto, ainda está longe de ser uma ficção. É a história mais aproximada possível da realidade”, conclui o autor de Tancredo Neves, o príncipe civil.

Lições da biografia para o Jornalismo

O gênero biografia pode trazer para o jornalismo várias lições. O tempo de apuração é um deles. “Os elementos que esse boom de biografias pode dar ao jornalismo é profundidade, tempo de investigação e relatos articulados”, entende Fraga, que enxerga o tempo de trabalho como ponto crucial para um bom trabalho jornalístico.

“Eu acho errado profissionais do jornalismo acreditarem que o texto é apenas uma relato de fatos a partir de um recorte específico”, conclui Fraga.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Brasil ainda é visto como país do carnaval e futebol, contam jornalistas

Por Pâmela Ellen

O Brasil tem uma imagem construída no exterior com base no carnaval, futebol, mulheres bonitas, praia e verão. É o que expôs o fundador da plataforma online Plus55, Gustavo Ribeiro, durante a mesa “Pra Inglês ver: cobertura do Brasil para estrangeiros”, que contou também com a repórter de política da Thomson Reuters, Lisandra Paraguassu. No painel, eles discutiram sobre as dificuldades que jornalistas brasileiros encontram ao reportar as notícias sobre o Brasil paras estrangeiros.

Para desenvolver as matérias do Plus55, a equipe mapeia quais os temas mais pesquisados sobre o país. “A bunda da mulher brasileira”, segundo ele, já esteve entre os mais procurados do dia. “O brasileiro é hipersexualizado no exterior. O problema existe porque ajudamos a construir esses estereótipos e os reforçamos durante muito tempo em nossa publicidade sobre o país”, afirmou.

Para Paraguassu, repórter da Reuters, a imagem propagada pelo país vem mudando desde 2000, a partir de nova abordagem feita pela publicidade: “ao invés de utilizar mulheres de biquíni e as festas de carnaval como chamativo, as empresas passaram a disseminar fotos dos lugares e seus atrativos turísticos”. Ela acredita, no entanto, que o próprio brasileiro ainda se orgulha dessa imagem, de ser o país do futebol, carnaval e mulheres bonitas.

Um trabalho que exige esforço diário é justamente quebrar esses estereótipos existentes sobre o Brasil. A maior dificuldade, para Paraguassu, é traduzir tudo o que acontece aqui no país para quem é de fora. “Muita coisa é incompreensível para os gringos”, diz[PE1] .
 Um dos exemplos foi a cobertura do surto do zika vírus no país. Mostrar para o mundo o trabalho dos pesquisadores brasileiros, era o maior desafio: “Foi necessário mostrar que nós também somos um país capaz de desenvolver pesquisas”.

É consenso entre os dois palestrantes que existem duas categorias de leitores estrangeiros: os que tem interesse econômico no país, com o intuito de investir no mercado brasileiro e, por esse motivo, querem saber tudo o que está acontecendo na política e economia, e aqueles os que só se interessam pelas “desgraças”.

Explicar para diferentes públicos a estrutura social do Brasil, segundo eles, é complexo. A repórter da Reuters explica que “o sistema político da América do Sul é totalmente diferente das outras regiões, as leis são diferentes, o judiciário, a cultura, tudo”. Ainda existe a imprevisibilidade. Como Ribeiro conta, “não tem como dar certeza sobre um caminho que a economia ou a política irá seguir, há reviravoltas a todo instante”.

A instabilidade política e economia do país, faz com que quem está de fora não entenda como o país ainda sobrevive. Para esclarecer o complexo cenário do país, segundo Paraguassu, “é preciso ver tudo com o olhar do estrangeiro, esclarecer as dúvidas e apresentar fatos concretos”.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.