30/06/2017

Abraji lança projeto "Tim Lopes" para investigar crimes contra jornalistas

Além de revelar os bastidores dos crimes, o objetivo é dar continuidade às investigações   


Tânia Lopes, irmã de Tim, com Thiago Herdy, presidente da Abraji. Foto: Alice Vergueiro.

Por Cristiane Paião

É a ideia de um formigueiro. "Se você pisar em uma formiga, o formigueiro todo vai subir na sua perna. Então, se matarem um jornalista - ainda que lá no interior do Brasil - um grupo de repórteres da Abraji vai investigar", explica Thiago Herdy, presidente da Abraji, no lançamento do projeto "Tim Lopes" realizado nesta quinta-feira (29) na Sessão Especial do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. 


O projeto é ideia do jornalista Marcelo Beraba, ex-presidente da Abraji, e uma homenagem ao jornalista Tim Lopes, assassinado em 2002 enquanto investigava o abuso de menores em bailes funks das favelas do Rio de Janeiro. O objetivo é revelar os bastidores dos crimes contra os jornalistas no país e, principalmente, dar continuidade às investigações. A princípio, quatro casos emblemáticos serão investigados mas a expectativa é de que o projeto continue, conforme surjam novos casos. 

Para Tânia Lopes, irmã de Tim, a iniciativa é uma "alegria" já que toda a história da própria Abraji está relacionada ao que aconteceu com o jornalista, um dos precursores do jornalismo investigativo no país, e também porque o projeto vai ajudar não apenas os profissionais da área mas, sobretudo, a sociedade.

"Eu acho que o que fica do nome dele é o carimbo em grandes projetos, como esse, que trata da liberdade de expressão e vai trazer material para os estudantes de jornalismo, que querem ser grandes jornalistas como o Tim e como tantos outros que estão aqui no congresso. Parabéns à todos nós, porque o Tim está ali sabendo que é por esse caminho que a gente tem que continuar", destaca Tânia.   

Outro objetivo do projeto "Tim Lopes" é buscar compreender o que de fato aconteceu no local, em toda a sua complexidade. "Nós vamos contar a história daquele assassinato e vamos dar continuidade à história que aquele repórter estava conduzindo, que é o mais importante. Para que ninguém imagine que matando o repórter vai conseguir calar o jornalismo, porque não vai", destaca Herdy. "Quando você mata um jornalista, você não está matando só o 'sujeito', está matando a sociedade, porque ele estava ali em nome da sociedade e em busca do interesse público e da verdade dos fatos", conclui.

A trajetória do jornalista Tim Lopes também foi narrada no documentário "Tim Lopes: Histórias de um Arcanjo", lançado em 2013, e que mostra o processo de produção do jornalista.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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