29/06/2017

Brasil ainda é visto como país do carnaval e futebol, contam jornalistas

Por Pâmela Ellen

O Brasil tem uma imagem construída no exterior com base no carnaval, futebol, mulheres bonitas, praia e verão. É o que expôs o fundador da plataforma online Plus55, Gustavo Ribeiro, durante a mesa “Pra Inglês ver: cobertura do Brasil para estrangeiros”, que contou também com a repórter de política da Thomson Reuters, Lisandra Paraguassu. No painel, eles discutiram sobre as dificuldades que jornalistas brasileiros encontram ao reportar as notícias sobre o Brasil paras estrangeiros.

Para desenvolver as matérias do Plus55, a equipe mapeia quais os temas mais pesquisados sobre o país. “A bunda da mulher brasileira”, segundo ele, já esteve entre os mais procurados do dia. “O brasileiro é hipersexualizado no exterior. O problema existe porque ajudamos a construir esses estereótipos e os reforçamos durante muito tempo em nossa publicidade sobre o país”, afirmou.

Para Paraguassu, repórter da Reuters, a imagem propagada pelo país vem mudando desde 2000, a partir de nova abordagem feita pela publicidade: “ao invés de utilizar mulheres de biquíni e as festas de carnaval como chamativo, as empresas passaram a disseminar fotos dos lugares e seus atrativos turísticos”. Ela acredita, no entanto, que o próprio brasileiro ainda se orgulha dessa imagem, de ser o país do futebol, carnaval e mulheres bonitas.

Um trabalho que exige esforço diário é justamente quebrar esses estereótipos existentes sobre o Brasil. A maior dificuldade, para Paraguassu, é traduzir tudo o que acontece aqui no país para quem é de fora. “Muita coisa é incompreensível para os gringos”, diz[PE1] .
 Um dos exemplos foi a cobertura do surto do zika vírus no país. Mostrar para o mundo o trabalho dos pesquisadores brasileiros, era o maior desafio: “Foi necessário mostrar que nós também somos um país capaz de desenvolver pesquisas”.

É consenso entre os dois palestrantes que existem duas categorias de leitores estrangeiros: os que tem interesse econômico no país, com o intuito de investir no mercado brasileiro e, por esse motivo, querem saber tudo o que está acontecendo na política e economia, e aqueles os que só se interessam pelas “desgraças”.

Explicar para diferentes públicos a estrutura social do Brasil, segundo eles, é complexo. A repórter da Reuters explica que “o sistema político da América do Sul é totalmente diferente das outras regiões, as leis são diferentes, o judiciário, a cultura, tudo”. Ainda existe a imprevisibilidade. Como Ribeiro conta, “não tem como dar certeza sobre um caminho que a economia ou a política irá seguir, há reviravoltas a todo instante”.

A instabilidade política e economia do país, faz com que quem está de fora não entenda como o país ainda sobrevive. Para esclarecer o complexo cenário do país, segundo Paraguassu, “é preciso ver tudo com o olhar do estrangeiro, esclarecer as dúvidas e apresentar fatos concretos”.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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