30/06/2017

Como o Design Thinking pode ajudar os jornalistas?

Para Adriana Garcia Martinez, processo é essencial para se entender o público alvo e o mercado em que se deseja entrar

Adriana Garcia (Orbital Mídia) fala como o design thinking pode ajudar os jornalistas. Foto: Alice Vergueiro.
Por Caroline Bueno

“É uma caixa de instrumentos para navegar a incerteza”. É assim que a jornalista e criadora do Orbital Mídia, Adriana Garcia Martinez, define o conceito de Design Thinking, que também pode ser entendido como um conjunto de estratégias amplamente utilizadas no mundo empresarial para entender melhor o modelo do negócio em que se planeja entrar.

As etapas, segundo ela, passam por descobrir quem é o público alvo do produto e por um processo intenso, principalmente, de "empatia", já que mais do que trazer aspectos do jornalismo para entender quem pode ser o seu público alvo, é preciso ter uma visão "etnográfica" do "outro" que se quer conhecer. Por isso, para a jornalista, perguntar constantemente o porquê de algo que estamos pensando pode ser a lição mais importante aqui.

“O jornalista vem para inspecionar a sociedade”, diz Martinez, e já que os valores da notícia e a missão do jornalista são preservados com as técnicas do Design Thinking, é possível que esse seja exatamente um fator que pode atrair cada vez mais a atenção dos jornalistas para a área. “Nós, jornalistas, vivemos de evidências, e os designers também", pontua.

Desafios e dicas

Painel sobre design thinking. Foto: Alice Vergueiro.
Segundo a especialista, apenas 2% dos profissionais que estão utilizando os processos do Design Thinking atualmente são jornalistas, o que revela que a área da comunicação ainda tem muito a ganhar com a ferramenta.

“Os jornalistas são muito racionais”, destaca Martinez, e talvez seja exatamente por isso que "ver a emoção como um dado como tantos outros da investigação seja um desafio", diz. Segundo ela, o designer trabalha na rua, ouvindo, observando, anotando o que é falado - exatamente como o jornalista -, mas também deve apreender a emoção e o gestual, o que está por trás das palavras. Sujar os sapatos, como se no jornalismo, também deve ser aliado à importância do "olhar", pois todo detalhe pode ser importante para o seu modelo de negócio.

Com a aposta, um dos instrumentos essenciais dessa "caixinha que ajuda a navegar a incerteza", é o erro - outro conceito historicamente temido pelos profissionais da comunicação mas que, aqui, deixa de ser algo a ser evitado para fazer parte de uma prática de tentativas. “Lidar com o erro também é um desafio para os jornalistas, que veem o erro como algo que deve ser evitado constantemente", ressalta.

Além disso, a colaboração, outro traço das startups, também é uma ferramenta muito presente no ambiente de Design Thinking. Numa plataforma digital, é necessário “realizar parcerias com pessoas com outras habilidades”, define Martinez. Segundo ela, é muito difícil para os jornalistas lidarem com a colaboração, uma vez que, ao trabalharem constantemente com o reconhecimento, têm que deixar o “ego” de lado.


Par Martinez, é necessário firmar parcerias com pessoas de outras habilidades. Foto: Alice Vergueiro.
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