29/06/2017

Editora de ‘ITunes de notícias’ aponta caminhos para financiar jornalismo

Micropagamentos e diversidade de conteúdos fazem parte da estratégia da startup Bendle

A jornalista holandesa Jessica Best em palestra sobre o Blendle. Foto: Alice Vergueiro 


Por Fidel Forato

Entre os desafios do jornalismo na atualidade está a dificuldade em gerar uma receita viável e que seja capaz de sustentar uma redação capacitada. Numa tentativa de trazer novas alternativas para esse cenário, a editora chefe de redação da startup Blendle, Jessica Best, compartilhou suas experiências no 12º Congresso da Abraji, nesta quinta (29), em São Paulo.

Fundada na Holanda em 2014 e hoje com atuação nos Estados Unidos, a startup coloca-se como parte da solução para a crise da imprensa tradicional, funcionando como uma espécie de ITunes do jornalismo. A plataforma da Apple é um grande portal em que diversas gravadoras disponibilizam trechos de suas músicas. Se os consumidores gostarem, podem comprar a obra na íntegra.

A ideia do Bendle é quase a mesa. O serviço holandês se abastece dos conteúdos já produzidos por veículos como New York Times, Washington Post e The Economist, edita as matérias conforme as preferências dos seus leitores e disponibiliza para que seus usuários comprem.

Para Best, “as pessoas pagam por conteúdo de qualidade, mas não costumam pagar caro”. A partir dessa ideia, o serviço disponibiliza os textos numa faixa de preço que estabelece um pagamento mínimo e um máximo.

No entanto, os valores por matéria costumam ser em torno de 0,33 dólar. Outra vantagem para os leitores é que eles podem ter seu dinheiro de volta caso não considerem justa a quantia paga por determinada reportagem. Esse método é conhecido como micropagamentos.

Ainda está em testes na Holanda outra possibilidade: a de assinaturas mensais. Pelos dados prévios, notou-se que as pessoas leem mais quando pagam uma taxa única e fixa. Então, cabe o seguinte questionamento: Qual a diferença entre assinar o serviço Blendle e um jornal tradicional? A jornalista Best responde que a expectativa da startup é “mais do que divulgar notícias, mas criar uma experiência prazerosa para se ler as reportagens e criar um espaço mais interessante na web”.

Ainda segundo Best, o público-alvo do serviço, composto por jovens com menos de 35 anos, está entediado com os formatos atuais da mídia, das histórias repetidas que são republicadas em todos os portais de maneira quase idêntica e das propagandas incômodas, como pop-ups. Esses leitores buscam matérias de profundidade em política e economia, por exemplo, e, além disso, não são fieis a um único veículo, mas a boas histórias.

Para criar essa nova experiência, 50 dos 80 funcionários da empresa são da parte técnica, e buscam constantemente transformar o conteúdo em algo mais bonito e de melhor acessibilidade. Em contrapartida, os veículos republicados ganham uma porcentagem dos valores arrecadados e tornam-se conhecidos por um público que não necessariamente buscaria se informar por meio deles.

Dessa forma, Jessica Best, com a Blendle, tenta transformar o jornalismo na internet em algo rentável e, a cima disso, tenta convencer os jovens de que a informação tem um preço que merece ser pago. Os dados referentes ao número de assinantes e de receita da startup não foram divulgados por política da empresa.


O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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