29/06/2017

“Estamos criando uma nova linguagem com a realidade virtual”, afirma Tadeu Jungle

Por Karine Seimoha

As tecnologias imersivas têm crescido através dos produtos de entretenimento nos últimos anos, em especial, nos games, um dos setores mais rentáveis dos últimos anos. Além disso, surgiram alguns outros produtos como vídeos nas redes sociais e spin-offs de grandes produções cinematográficas que utilizam essa tecnologia.

Mais recentemente, esse tipo de produção de conteúdo chegou ao jornalismo - e, com isso, a promessa de uma nova forma de contar histórias, colocando o espectador no centro da ação. Discutindo sobre essa questão no painel “Jornalismo Imersivo: tecnologia a serviço da narrativa”, no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo de 2017, em São Paulo, Tadeu Jungle, o cineasta responsável pelos documentários “Rio de Lama” e “Fogo na Floresta”, acredita que esse tipo de produção traz mais empatia e transparência para o fazer jornalístico.

Por permitir que o espectador esteja no centro da ação, os vídeos em realidade virtual e 360º abrem a possibilidade de transmitir muito além de informações: é possível criar experiências, sensações e sentimentos no público, criando a impressão de que quem assiste também é parte daquilo. Porém, é preciso cuidado. De acordo com Erica Anderson, do Google News Lab, é de extrema importância que o jornalista saiba preparar o espectador para aquele conteúdo, com avisos e os chamados “alertas de risco” (do ínglês, triggered warning), a fim de evitar que ele se impacte de forma negativa.

Além disso, também há diversas questões éticas envolvidas no uso desta tecnologia, como, por exemplo, as filmagens em 360º com diversas pessoas em cena. Algumas delas podem, por exemplo, não querer aparecer no vídeo. Além disso, outra preocupação é o modo de produzir esses conteúdos. No Brasil, ainda não há uma agência de notícias especializada em realidade virtual - e poucos equipamentos disponíveis. Contudo, trata-se de uma tecnologia barata e que tem tudo para ganhar mais visibilidade no país em poucos anos.

YouTube 180

Uma nova visão - ainda que bastante embrionária no Brasil - é o YouTube 180. Trata-se de uma plataforma de vídeos em 180º, que contam com uma forma de produção um pouco mais simples que os vídeos em 360º, filmados em formato de esfera e planificados posteriormente. Dessa forma, o que se tem visto é um surgimento bastante diverso de técnicas e formatos de inserir o telespectador nas narrativas, ainda que somente como observador passivo.

Erica acredita que, até por conta disso, a tendência é que os formatos sofram uma convergência, e o resultado final seja algo surpreendente, mas ainda não sabe exatamente de que forma isso será feito e qual formato permanecerá. A única certeza, tanto de Erica quanto de Jungle, é que a realidade virtual não é apenas um modismo, mas sim, um formato inovador e que veio para ficar, graças a sua forma de conquistar o público com sua capacidade de estabelecer vínculos, criando emoções e proporcionando experiências por meio da livre exploração dos fatos e cenários retratados.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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