29/06/2017

Fake News: como identificar notícias falsas

Medidas como checar informações e a confiabilidade de fontes podem evitar o leitor de ser enganado e compartilhar notícias falsas nas redes sociais

Carlos Eduardo (Columbia), Angela Pimenta (Projor), Luis Renato (Facebook) e Sérgio Dávila (Folha) em mesa sobre as "fake news". Foto: Alice Vergueiro

Por Karine Seimoha

As “fake news” se tornaram um verdadeiro problema para quem trabalha com jornalismo no Brasil nos últimos tempos. Graças a popularização das redes sociais, as portas da produção de conteúdo foram abertas ao público em geral e, com isso, surge uma nova questão: o compartilhamento de notícias que não correspondem à realidade. Esse foi o tema da discussão do painel “Pós-verdade, credibilidade e inteligência digital: jornalismo no fogo cruzado”, realizado durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo. 




A este fenômeno dá-se o nome de pós-verdade, ou pós-fato. Para driblar essa questão, é preciso que os leitores sejam capazes de reconhecer esse tipo de publicação antes do compartilhamento, o que pode ser feito através de um mecanismo que é velho conhecido dos jornalistas: a checagem de informações.

Para o público geral, no entanto, esses procedimentos são desconhecidos. Luis Renato Olivalves, um dos coordenadores do “Facebook Journalism Project” no país, acredita que é necessário que haja um treinamento para o consumo consciente de informações. Segundo ele, a própria rede social já desenvolveu algoritmos que identificam possíveis notícias falsas e reduzem seu alcance. Nesse sentido, Carlos Eduardo Lins, do Projor, defende que os jornais perderam boa parte de sua credibilidade devido à facilidade existente em produzir informações.

Para driblar isso, Lins acredita que há uma longa batalha a ser travada por todos os profissionais da área: a criação de uma disciplina nas escolas que ensine, desde cedo, as crianças a ler e entender notícias de jornais renomados no país. Embora tenham ganhado mais força após o surgimento das redes sociais, ele afirma que as “fake news” não são as únicas responsáveis por essa situação, já que elas existem desde o surgimento do jornalismo industrial.

Para Sérgio Dávila, da Folha de S.Paulo, os jornalistas também têm a obrigação de trabalhar em prol da recuperação da credibilidade e autoridade da classe como um todo. Para alcançar esse objetivo, algumas medidas devem ser observadas: não usar linguagem de notícias falsas (informal e sensacionalista); checar os fatos de forma exaustiva; não premiar financeiramente jornalistas por obterem mais cliques nos portais - para que não escrevam de forma apelativa - e retomar o uso da norma culta da língua portuguesa, o que, segundo Lins, coloca o jornalista em uma posição de autoridade perante o leitor.

Projeto Credibilidade

Outra proposta citada no painel foi a apresentação do Projeto Credibilidade, cujo objetivo é promover um jornalismo confiável e de qualidade. A iniciativa consiste em ações que estimulem a reflexão sobre a fragmentação da narrativa jornalística no ambiente digital e desenvolvam ferramentas que busquem combater a propagação de notícias falsas.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Nenhum comentário:

Postar um comentário