30/06/2017

Globo e Abril apostam em modelo de assinaturas digitais para financiar jornalismo

Rodrigo Perez e Luciano Touguinha, profissionais das áreas comerciais das empresas, falam sobre as saídas para a crise nos modelos de negócio do jornalismo

Luciano Touguinha (Grupo Globo/InfoGlobo) fala sobre modelos de assinaturas digitais. Foto: Alice Vergueiro
Por Daniela Arcanjo

As novas tecnologias da informação impõem um desafio às empresas tradicionais de jornalismo. Antes com um modelo consagrado de venda de espaço ou tempo em jornais impressos e telejornais, hoje os meios de comunicação precisam se adaptar ao financiamento em ambientes digitais . Como bancar o bom jornalismo?

Foi esta a pergunta central da mesa “Estratégias de monetização de conteúdo digital na mídia tradicional”, que ocorreu na manhã desta sexta-feira, 30, segundo dia do 12º Congresso Nacional da Abraji, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. A mediação foi de Margot Pavan, da Associação Nacional de Jornais (ANJ).

“Jornalismo bom custa caro. Precisamos achar um tipo de negócio para fazer esse modelo fechar”, afirmou Ricardo Perez, diretor de Assinaturas do Grupo Abril. Antes de se estabelecer na editora, Perez passou por outras grandes corporações, como a Total Express e a Telefônica Brasil. Em todas ocupou cargos relacionados à área comercial e de marketing.

Para a Abril, Perez apostou no modelo de assinaturas como a principal forma de continuar gerando receita. Segundo ele, o grande acerto da editora foi aliar a assinatura de revistas impressas com conteúdo digital: quem já era leitor das revistas passou a assinar o complemento. Apenas uma pequena parcela dos leitores é assinante do conteúdo exclusivamente digital.

A Globo vêm seguindo o mesmo processo. Luciano Touguinha, diretor executivo de Mercado Consumidor e Audiência da Infoglobo e da Editora Globo, afirmou que o dinheiro, no meio digital, também vem das assinaturas. Segundo ele, a publicidade é bem-vinda, mas são elas que “dão estabilidade”. A audiência digital já é dez vezes maior que a mídia impressa no Globo, o que explica o interesse da empresa em ampliar esse mercado.

Marketing personalizado

Para conquistar essas assinaturas, o marketing personalizado para diferentes perfis de clientes é a aposta em ambas as corporações. O aplicativo GoToShop, lançado há oito meses pela Abril, apresenta produtos aos assinantes com base na curadoria das marcas das revistas, que se tornam sugestão de compras.

Já o Globo vai passar a aplicar o PayWall do seu portal de acordo com o perfil de cada leitor. O marketing cada vez mais exclusivo e individual, baseado em dados e perfis dos consumidores será aplicado no modelo de negócio digital do Globo. Em cinco etapas, da prospecção à retenção, o consumidor é convencido a pagar pelo jornalismo e manter engajamento.“Acabou a época de tratar todos como iguais. Não podemos criar uma regra igual para todos”, explicou Touguinha.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Nenhum comentário:

Postar um comentário