30/06/2017

Jornalista explica como repórteres podem aprender a interpretar e representar dados

Profissional que está à frente do Google News Lab no Brasil ensina repórteres a transformar tabelas e planilhas em mapas com o Fusion Table

Marco Túlio Pires (Google News Lab) fala sobre o Google Fusion Tables. Foto: Alice Vergueiro.
Por Matheus Moreira

O uso de dados para a construção de reportagens não é novidade no jornalismo. Com as novas tecnologias, as possibilidades se tornaram ainda mais extensas. O surgimento dos computadores e a popularização da internet nas últimas duas décadas facilitaram, ao mesmo tempo em que dificultaram, a criação de tabelas e planilhas. Hoje, códigos e programas que resolvem parte dos problemas de antes instigam profissionais da comunicação.

O desafio agora é interpretar e representar os dados. No 12º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji, a oficina laboratorial “Google Fusion Tables: conte histórias com mapas sem saber programação ou design”, ministrada por Marco Túlio Pires, que está à frente do Google News Lab no Brasil – nova ferramenta de auxílio aos jornalistas no País -, ensinou aos participantes como utilizar dados de geolocalização para criar mapas, utilizando ferramentas gratuitas do Google, em especial o Fusion Tables.

Como funciona

O Google Fusion Tables foi lançado em 9 de junho de 2009. O objetivo da plataforma é facilitar a adaptação de dados de geolocalização, reunidos por geólogos ou órgãos públicos, em mapas. Além disso, o sistema permite a visualização dos dados em tabelas e gráficos, o que descomplica sua interpretação e permite extrair, em termos de noticiabilidade, informações preciosas.

Entre os exemplos de dados de localização geográfica apresentados por Pires durante a oficina, saltam aos olhos a possibilidade de mapear as entradas hospitalares por estados e municípios, ou, ainda, os índices populacionais brasileiros, com suporte de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por que isso importa para jornalistas

Com o advento da internet, a escassez de dados deixou de ser um problema, que foi substituído pela obtenção, interpretação e representação de informações. Esses processos assombram profissionais experientes tanto quanto os iniciantes.

Para desmistificar esses procedimentos, Pires utilizou informações de geolocalização simples, obtidas junto ao IBGE e a órgãos públicos, para demonstrar, passo a passo, como utilizá-las na ilustração e composição de narrativas de interesse público.

Um bom exemplo da análise de dados é uma série de reportagens, premiada com um Pulitzer, da equipe Spotlight do jornal estadunidense Boston Globe. Os quatro repórteres que integravam a equipe, na época, junto ao editor Martin Baron, descobriram, nos registros de transferências de padres pelo Vaticano, uma cadeia de proteção aos clérigos acusados de abuso sexual infantil. As reportagens que se seguiram à descoberta viajaram o mundo e expuseram impunidades institucionalizadas pelos representantes do catolicismo em Boston, nos Estados Unidos, em 2003.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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