29/06/2017

“Não existe lobby do mal, existe crime”, defende Rizzo

Segundo a diretora da Abraji, a atividade é legal e criminalizá-la prejudicaria todo o processo democrático no Brasil

A jornalista Alana Rizzo na mesa "Lobby sem lei".  Foto: Alice Vergueiro


Por Stéfanie Rigamonti

Prática altamente regulamentada nos Estados Unidos da América, o lobby, embora seja legalizado no Brasil, ainda não possui regulamentação. Por essa razão, acaba servindo como disfarce para ações ilícitas de agentes do setor privado e para o tráfico de influências, manchando a reputação dos profissionais que atuam na área. A prática, entretanto, faz parte do processo democrático, defende Alana Rizzo, repórter e diretora da Abraji.




A jornalista, responsável por uma investigação sobre como acontece o lobby no Legislativo e no Executivo, compartilhou com os participantes do painel “Lobby sem lei” todo o processo de preparação do projeto. Partindo da idealização da iniciativa até sua finalização, Alana falou sobre as dificuldades de aquisição de informações e sobre a importância do material ficar permanentemente disponível a todo o público em formato digital.

Após profundas pesquisas, a repórter chegou à conclusão de que não existe lobby do “bem e do mal”, já que este último se configura um crime. Pensar assim ajuda no processo de desmistificação e legitimação da atividade, buscando a criação de balizas que direcionem e regulamentem suas práticas no Brasil.

Ela destacou a importância da atividade realizada por associações que representam os professores e outros grupos de interesse social e que realizam um grande trabalho no pleito frente aos legisladores. Devido a isso, não é possível misturar esse trabalho com os crimes que ocorrem nos poderes públicos.

Para que seja possível separar o joio do trigo, Alana Rizzo dá a dica: “hoje, eu acho que só existe uma forma de a gente controlar essa interação entre o público e o privado, que é por meio da transparência”. Segundo a diretora, os jornalistas têm papel crucial nesse processo. “Sem dados, nós, jornalistas, não conseguimos nem fazer uma boa matéria, nem informar a sociedade para que ela tenha uma opinião e possa, por exemplo, pressionar o seu deputado eleito”, completa.

De acordo com a palestrante, as falhas relacionadas ao lobby são muito mais profundas e dizem respeito ao modo como o parlamento está estruturado justamente na questão da receptividade ao cidadão. “Já começa errado. Teoricamente, o legislativo é o principal canal para a defesa de interesses. Então todo mundo deveria ter acesso. Não só o cara que tem o contato do deputado que vai dar a ele o crachá [de acesso ao parlamento], não só o cara que representa uma associação; mas todo mundo deveria ter condições de entrar ali e participar dos debates”.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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