30/06/2017

“O que eu gostaria que tivessem me dito”: dicas para ser um bom “foca”

Para veteranos do jornalismo, curiosidade, persistência e otimismo são as principais características que formam um bom jornalista

Clóvis Rossi (Folha de S.Paulo) fala sobre o que gostaria que lhe tivessem contado quando era foca. Foto: Alice Vergueiro.
Por Luana Nunes

Para um jornalista, desistir no primeiro “não” é o maior erro. Porém, não basta apenas acreditar, tem que ser persistente e muitas vezes contar com a sorte. “Consegui meu primeiro emprego graças ao porteiro (do jornal), quando ingressei no Diário de Noticia”, relata Elvira Lobato ao iniciar a roda de conversa “O que eu gostaria que tivessem me dito quando eu era foca”, realizada durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. 



“Foca” é o termo utilizado na área para estudantes ou jornalistas recém-formados. “Tentei vender minha primeira matéria, mas eles nem me deixaram terminar de falar, então insisti e pedi para que ficassem com o material. Dias depois lá estava minha matéria publicada. E assim eu descobri o que era ser foca”, confidencia Elvira.

Aos 19 anos, Elvira Lobato conta que só tinha duas certezas na vida: seria medica ou jornalista. Nascida no interior de Minas Gerais, a jornalista se mudou para o Rio de Janeiro, onde ingressou na UFRJ e se formou em jornalismo.

“Fazer jornalismo vai além de se contentar com aulas na universidade ou sentar em frente ao computador para ler informações já lidas por inúmeras outras pessoas. 80% é trabalho duro, 10% sorte e 10% talento”, ressaltou Clóvis Rossi, jornalista e colunista da Folha de São Paulo, que também integrou a roda de conversa.

Receber incentivos e conselhos é um fator muito importante em qualquer profissão. Ser um eterno aprendiz na área que exerce é uma lição de humildade e também sabedoria. Entrar na redação pela primeira vez ou ir a campo para a primeira matéria é sempre algo que causa frio na barriga e uma enorme ansiedade. Ouvir termos diferentes assusta e vem aquela pergunta “por que não me falaram disso antes? ”.

Segundo Elvira Lobato, “frio na barriga”, medo de errar e vergonha de perguntar são os três principais problemas para qualquer jornalista, seja ele iniciante ou não. Ser curioso, “cara de pau” e otimista são as três principais características para ser bem-sucedido.

Para Rossi, o principal problema dos jornalistas é viver exclusivamente para o jornalismo. “Eu vivia dentro das redações preocupado em fazer matéria ou viajando a trabalho, preocupado com material para entregar”. Segundo relata o colunista, foram necessários anos para que ele viajasse com sua família ou lesse algum livro que não fosse sobre sua profissão. “Só percebi isso depois, afinal de contas ninguém me falou isso quando eu era foca”, confidencia.

Para ser um bom foca e consequentemente um bom jornalista, não basta se prender a determinado assunto ou focar apenas no jornalismo. É importante viver e ter boas histórias para contar. Ser curioso e deixar a vergonha de lado são pontos primordiais, assim como escrever para informar o que é importante para os leitores e não para agradar o chefe ou as fontes.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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