29/06/2017

Os 5 mandamentos do freelancer bem-sucedido

O jornalista e empreendedor Alexandre de Santi compartilha seus erros e aprendizados após 10 anos fora das redações 

Veronica Goyzueta (BCReport/ABC) e Alexandre de Santi falam sobre a experiência de freelancer. Foto: Alice Vergueiro



Por Maria Vitória Ramos

Durante o consultório “Como viver de freela?”, do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, o jornalista e fundador da Agência Fronteira, Alexandre de Santi, realizou sessão interativa com jovens jornalistas que pretendem iniciar a carreira em voo solo e profissionais já experientes em grandes redações que agora buscam se reinventar. A transformação do mercado de jornalismo é tema recorrente no evento.

Santi praticamente iniciou sua carreira de jornalista como freelancer. Mas um trabalho bem feito para o Zero Hora lhe rendeu uma oferta de emprego no veículo, onde ficou por cinco anos. Ele considera esse período sua ‘residência’ no jornalismo.

Paralelamente, nesse período nasceu o projeto Cartola, espécie de cooperativa de trabalhos freelancers realizado juntamente com jornalistas da redação.

Com o tempo, seus objetivos e dos sócios se distanciaram, e ele deixou a parceria. Foi então que o casal Alexandre e Sílvia Lisboa fundou a Agência Fronteira. Depois de ter testado diferentes modelos para estruturar a vida de freelancer, Alexandre oferece um atalho e dá cinco dicas para aqueles que querem trilhar o mesmo caminho:

1. Ser versátil

O repórter que aspira publicar em um veículo específico precisa saber se adaptar. “Vejo que tem muita gente que fica irritada quando o editor faz muitas alterações no texto, mas é isso mesmo”, esclarece. O editor é o guardião da linguagem do veículo e essa é sua função.

2. Ser conhecido como ‘o cara que entrega o que promete’

“Vivo ouvindo editores reclamando que fulano não entregou tal coisa no prazo ou simplesmente sumiu”, condena Santi. Ele é categórico ao afirmar que os jornalistas não devem aceitar propostas quando não têm certeza se podem entregar exatamente o que foi pedido e no prazo. A reputação e credibilidade são ferramentas de trabalho do repórter freelancer. O segredo é ir se apresentando e fazer o “trabalho de formiguinha” para se inserir na área. A Revista Piauí, por exemplo, lançou recentemente um sistema de banco de pautas e estão recebendo propostas do Brasil inteiro.

3. Ser chato com a própria organização

Segundo o palestrante, organização é essencial, inclusive por questões financeiras: é sempre importante ter uma margem de dinheiro sobrando para não viver sob a guilhotina constantemente. O casal adotou a prática de separar o caixa da empresa daquele destinado às necessidades pessoais, e combinaram um valor fixo para retirar todo mês. Assim, o que entrar a mais ou a menos acaba sendo equilibrado ao longo do tempo. Essa é uma forma de tentar diminuir uma das maiores dificuldades do mundo dos freelancers: a insegurança.

4. Viver barato e ser feliz assim!

“Se você tem como ambição tomar vinhos caros e fazer uma viagem ao exterior por ano, está no lugar errado”, ironizou o jornalista. Ele garante que o segredo na vida de freelancer é viver barato. “Não é um voto de pobreza, mas se acostumar a ter prazer em coisas simples”, esclarece. Inflar as necessidades significa ter de aumentar a quantidade de trabalho, algo muitas vezes inviável ou indesejável.

5. Cultivar projetos próprios

Para ele, manter acesa no coração a chama que levou a pessoa a ser jornalista é essencial. “São os projetos autorais e feitos com paixão que vão impulsionar a carreira e te dar satisfação”, pontua.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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