30/06/2017

Para jornalista, Lava-Jato mudou o paradigma na cobertura de empresas

Âncora da CBN, Fernando Molica aponta mudança de cultura na imprensa após início da operação

Felipe Coutinho (BuzzFeed News) e Fernando Molica (CBN Rio/Abraji) falam sobre dicas e técnicas de investigação de empresas. Foto: Alice Vergueiro.
Por Maria Vitória Ramos

Para Fernando Molica, âncora da rádio CBN Rio e diretor da Abraji, a Lava-Jato foi responsável por uma mudança de paradigma na cobertura de casos de corrupção de empresas. De acordo com o repórter, a operação direcionou o interesse da imprensa a focar nas ações do corruptor - geralmente os atores privados - e não mais exclusivamente no corrompido.
“No Brasil já não temos a tradição de transparência na esfera pública, imagina na privada”, ressalta Molica, também destacando que até mesmo uma nova forma de fiscalizar as estatais passou a ser justamente por meio da investigação dos contratos com grandes grupos.

O repórter participou do painel “Dicas e Técnicas de investigação de empresas”, realizado sexta-feira, 30, no 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A mesa também contou com a presença de Malu Gaspar, que escreve para a revista Piauí, além de Filipe Coutinho, do Buzzfeed.

Gaspar, ex-correspondente em Nova York, chamou a atenção para os interesses em jogo. De acordo com a repórter, o ponto de partida é descobrir qual o interesse da empresa no poder público, muitas vezes evidenciado pela existência de doações feitas ao governo. Em seguida, é essencial identificar o que a empresa quer com o repórter, para não ser manipulado. “O empresário não tem tempo, se ele sentou para uma entrevista é porque tem algum interesse”, garantiu.

Autora do livro "Tudo ou nada – Eike Batista e a verdadeira história do grupo X, aponta que os laços entre empresas deve também ser usado como uma diretriz de apuração. “Todo empresário tem inimigos e eles são a fonte”, conclui Gaspar.

Na concepção de Coutinho, o mapeamento desse jogo de interesses ajuda o repórter a entender quem são os empresários ligados àquele que se investiga, a intersecção entre negócios e a relação com o poder público.

Entretanto, apesar de “nada substituir uma boa fonte”, Coutinho alerta que deve-se desconfiar de todos no mundo dos negócios sempre há o risco de ser usado para prejudicar ou beneficiar determinadas pessoas e grupos.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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