30/06/2017

Repórter afirma que brecha no sistema eletrônico do STF entregou lista de Fachin

Jornalistas responsáveis por furos, em Brasília, compartilham seus truques para a cobertura política
Breno Pires (Estadão) e Bela Megale (Folha de S.Paulo) falam sobre os furos no caso Odebrecht. Foto: Alice Vergueiro.
Por Fidel Forato

Furos jornalísticos das grandes operações investigativas e acordos de leniência, em Brasília, vem monopolizando as pautas da imprensa, ainda mais quando o assunto é a tão especulada delação da Odebrecht. Para discutir a cobertura dessas investigações, Breno Pires, d’O Estado de São Paulo, e Bela Megale, da Folha de S. Paulo, discutem o tema no segundo dia do 12º Congresso da Abraji.


Uma boa relação com os envolvidos é elemento fundamental nesse tipo de cobertura, mas o jornalista Pires, contrariando a regra, afirma que na matéria sobre “a Lista de Fachin [dada em primeira mão pelo Estado de São Paulo] não teve nenhuma fonte”. A divulgação dos dados que especificava quais políticos estavam sobre investigação do Ministro relator da Lava Jato foram obtidos por meio de uma brecha de segurança na divulgação de informações sigilosas do site do STF.

A investigação de Breno Pires ocorreu, integralmente, pelo site do STF e sem o uso de login especiais ou qualquer atividade hacker. A história começa com a análise de decisões públicas divulgadas e a exploração dos links também anexados até a descoberta de janelas que possibilitavam o acesso a informações restritas. Movido pelo “princípio de transparência da informação”, o repórter compartilha o pensamento de que “a tecnologia bem explorada tira o jornalista do lugar-comum”, mesmo em casos, como o dele, em que o conhecimento não é tão vasto.

Seu método era o de circular pelas informações e cercá-las aos poucos, em uma pesquisa que começa dois meses antes, e para a qual se analisou mais de 320 decisões jurídicas. No entanto, a publicação só foi divulgada em primeira mão pela demora do STF em torna-la pública. A Lista de Fachin foi elaborada no dia 04 de abril, mas só veio a público com a matéria de Pires no dia 11 de abril. Após o vazamento e uma auditoria interna, áreas do site foram desativadas.

Se o problema de lidar com fontes não esteve presente no caso mencionado, elas são parte do dia a dia da jornalista Bela Magale. Atualmente, responsável também pela cobertura de Brasília, a repórter explica que “as fontes sempre têm seus interesses próprios” e saber distinguir o que é bom ou ruim para a reportagem final é uma questão diária.

Outro ponto a ser discutido constantemente para Megale é: “Até que ponto se deve segurar uma informação ou torná-la pública?”. No furo de Breno Pires, essa foi também uma indagação, porque se poderia liberar aos poucos grupos de nomes presentes na Lista de Fachin e, assim, transformar uma grande manchete em várias outras menores. Só que segundo ele, não havia espaço para ser seletivo e, caso o fosse, beneficiaria partidos específicos e, não, a verdade.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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