30/06/2017

Startups de jornalismo: as dificuldades de ser seu próprio chefe

Dois dos maiores obstáculos desse tipo de empreendimento são conseguir conciliar a reduzida verba anual e a produção de conteúdo, mesmo operando sem margem de lucro


Tai Nalon (Aos Fatos) fala sobre como criar uma startup de jornalismo. Foto: Alice Vergueiro.
Por Karine Seimoha

Com as redações cada vez mais enxutas, muitos jornalistas tiveram que usar a cabeça para continuar trabalhando na área, após sair das redações de grandes jornais. No 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado em São Paulo, Sérgio Spagnuolo, do Volt Data Lab, e Tai Nalon, de Aos Fatos, comandaram o painel “O que é preciso para começar uma startup de jornalismo”, em que falaram sobre as dificuldades de gerir a própria empresa.


Até chegar ao atual modelo de negócios da Volt Lab Data, Spagnuolo explicou que passou por muitos outros processos - que deram errado. No momento, a empresa trabalha com jornalismo de dados, de forma alternativa, produzindo análises, reportagens, investigações, relatórios, levantamentos e outros tipos de conteúdo envolvendo dados.

Nalon acredita que buscar formas alternativas de fazer jornalismo é uma necessidade urgente, pois, atualmente, há grande oferta de mão de obra na área, com poucas oportunidades de trabalho, se comparada a antigamente. Dessa forma, o desafio das novas empresas é encontrar uma forma de produzir conteúdos jornalísticos que atendam às necessidades do mercado, de maneira atrativa.

Além disso, a fundadora de Aos Fatos afirmou que o texto escrito tornou-se uma mercadoria muito barata no mercado de comunicação. “Qualquer pessoa pode escrever um ‘textão’ no Facebook, alcançar 50 mil compartilhamentos e não ganhar nenhum retorno financeiro”, exemplificou. Dessa forma, além da checagem de discursos de políticos, a agência se diferencia produzindo relatórios para empresas, ministrando cursos, prestando consultorias voltadas ao controle de informações, entre outras atividades.

Para ambos, um dos maiores obstáculos que esse tipo de empreendimento apresenta é a tarefa de equilibrar o orçamento com a produção de conteúdo, mesmo operando fora da margem de lucro. Uma das alternativas apontadas foram os projetos de crowdfunding - financiamento colaborativo online. Tanto a Volt Data Lab quanto Aos Fatos (além de diversas outras novas empresas de jornalismo, como A Pública, Ponte.org e JOTA) valem-se dessa maneira de arrecadação de verba.

Dicas

Spagnuolo também deixou algumas recomendações simples para quem deseja trabalhar com esse tipo de agência de jornalismo. São elas:

• Apostar na perseverança e acreditar no projeto;

• Criar uma marca forte e reconhecida, trabalhando em sua identidade;

• Produzir material de forma constante;

• Entender que não há apenas um plano de negócios;

• Quando encontrar o plano de negócios que funciona para a startup, permanecer nele - mas sempre de olho em outros modelos, seguindo as tendências de mercado.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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