30/06/2017

Vídeos para internet não precisam ser curtos, diz editor da Vox

Javier Zarracina deu dicas sobre como usar recursos gráficos em matérias jornalísticas no 12º Congresso da Abraji


Javier Zarracina (Vox) fala sobre o sucesso do vox.com. Foto: Alice Vergueiro

Por Sara Baptista

No painel "Vox.com: sucesso de público, crítica e caixa usando visualização de dados", que aconteceu nesta sexta-feira (30), Javier Zarracina afirmou que “os vídeos têm o tempo que a história precisa para ser contada”. Para o infografista espanhol e editor gráfico da Vox.com, após decidir a pauta a equipe deve desenvolver o produto tanto quanto for necessário para explicar bem o conteúdo “se precisarmos fazer uma série, vamos fazer”, afirma. Ele justificou sua opinião citando o vídeo mais longo que a Vox já produziu, sobre a guerra na Síria, que atingiu a marca de um milhão de curtidas.


Além disso, o editor também exemplificou que a utilização de elementos gráficos em vídeos deixam entrevistas mais dinâmicas, por exemplo. Responsável por grande parte dos vídeos do veículo que tem dois milhões de inscritos no youtube, Zarracina acredita que o alto desempenho mostra que o que tem sido produzido pela imprensa tradicional nessa plataforma não é tão atrativo.

A Vox se define como um veículo que tem como foco explicar as notícias. O site que tem apenas três anos já é referência na utilização de dados para a contextualização, com 146 milhões de acessos mensais, e é considerado um dos dez veículos que mais crescem.

Como editor gráfico, Javier Zarracina trabalha intensamente com visualização de dados, mas acredita que "gráficos podem ser muito "desumanizantes". Ele sugeriu, no entanto, que colocá-los em contexto e criar metáforas para apresentá-los ajuda a tornar as informações mais claras e interessantes.

Por outro lado, ele contou ter uma formação jornalística muito tradicional, mas afirma que após vinte anos de experiência, trabalhar com pessoas jovens e novas mídias é renovador e o permite redescobrir o jornalismo. Aos estudantes que pretendem trabalhar com dados, suas recomendações são deixar os dados falarem sem interpretá-los previamente e buscar a história que está por trás deles, pois, segundo ele, há sempre uma história por trás "mesmo que seja chata", brinca.




O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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