01/07/2017

As lições do guru do jornalismo de dados: “É preciso tornar os números acessíveis à população”

Editor do Google News Lab, Simon Rogers destaca as possibilidades do jornalismo de dados e as inovações desse tipo de narrativa jornalística

Simon Rogers (Google News Lab) fala sobre as inovações em narrativas jornalísticas. Foto: Alice Vergueiro.
Por Ana Paula Bimbati

Dados, cruzamentos, contas e até equações complexas. Esses conceitos podem até não parecer pertencer ao mundo dos jornalistas, que, em alguns casos, fogem da matemática até hoje. Por mais difícil, os números são considerados ferramentas poderosas na hora de divulgar informações e na produção de pautas.  


Simon Rogers é considerado o “guru do jornalismo de dados” e tem passagens pelo Twitter e pelo jornal The Guardian. Ele participou do painel “Inovação em narrativas jornalísticas e jornalismo de dados”, no último dia do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Segundo Rogers, os números existem, mas eles não estão acessíveis para população e essa é missão do jornalista, divulgar. “Entender o mundo através de dados é uma forma de tentar mudá-lo”, pontuou.

Além de auxiliar no dia a dia, a habilidade de entender e produzir matérias a partir de dados ajuda o jornalista em coberturas mais específicas, como é o caso das eleições. Pelo Google Trends, ferramenta que mostra tendências de buscas na internet, é possível encontrar, por exemplo, o perfil do eleitor de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Na campanha presidencial americana do ano passado, Rogers contou que foi possível, duas semanas antes da votação, ter informações sobre o que os eleitores procuravam e por meio de um mapa ver como funcionava a polarização. Mas deixou claro: “esse tipo de pesquisa é complementar e não substitui as pesquisas de opinião tradicionais”.

Aliado a esse trabalho de busca, o jornalismo de dados também conta com a interatividade com os usuários. “No passado, o jornalista tinha que apresentar o assunto e o público falar ‘obrigada’. Mas agora existe uma colaboração”, explicou Rogers. “Às vezes, a comunidade sabe mais de um número e pode ajudar o jornalista neste processo”.

"Ódio" pela matemática

Apesar de ser considerado o “guru do jornalismo e dados”, Rogers relatou que durante a infância não era fã da matemática na escola e não imaginava que ela se tornaria sua ferramenta de trabalho.

Ao passar pelo The Guardian, em 1998, ele teve contato com dados e percebeu como seria importante facilitar o acesso para as pessoas. Editor do Google News Lab, nova plataforma do Google para treinar jornalistas na checagem de informações, Rogers não romantiza o trabalho que faz: 80% do tempo sendo jornalista de dados é chato, revela. “Os dados não são simples, mas trabalhar com eles é um processo interessante”.

A mediação da mesa foi feita pelo jornalista do Estado de S. Paulo, coordenador do Estadão Dados e ex-presidente da Abraji, José Roberto de Toledo.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Nenhum comentário:

Postar um comentário