01/07/2017

Cineastas criticam cobertura do impeachment: “golpista e sensacionalista”

Anna Muylaert, Lô Politi e Maria Augusta Ramos revelam bastidores de documentários sobre destituição de Dilma Rousseff
Cineastas discutiram bastidores de documentários sobre impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Alice Vergueiro
Por Luana Nunes, Maria Silvia Lemos e Sheyla Melo

Quatro documentários sobre o impeachment de Dilma Rousseff estão sendo produzidos neste momento, e as responsáveis por dois deles estiveram em uma mesa de debates no 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, da Abraji, neste sábado, 1. Anna Muylaert, Lô Politi e Maria Augusta Ramos revelaram detalhes sobre seus filmes e criticaram a atuação da imprensa no afastamento da presidenta.

De dentro do Palácio da Alvorada, Muylaert e Politi acompanharam o afastamento de Dilma da presidência. Registraram a retirada das prerrogativas do cargo, como passagens de avião e o cartão de alimentação, e conviveram com seus familiares e amigos.

Segundo as cineastas, a presença da equipe de filmagem era incômoda para a presidenta naquele momento. “Em nome da história ela suportou”, avalia Muylaert.

Diante de uma plateia formada por jornalistas e estudantes de jornalismo, as cineastas foram contundentes ao comentar a função da imprensa no impeachment. “A mídia foi golpista e sensacionalista”, disse a diretora de “Que horas ela volta?”.

As três cineastas consideram que o impeachment teve um forte componente misógino. Para a jornalista e publicitária Lô Politi, a presença de Dilma incomodava os homens. “Isso é nítido nas nossas imagens”, afirmou.

Já Maria Augusta Ramos abordou os aspectos jurídicos e políticos do impeachment, acompanhando as discussões no Congresso e reuniões da defesa de Dilma. “Ficou nítido um processo kafkiano da retirada de uma presidente honesta do poder”, disse. Seu filme recebeu o nome de “O Processo”.

A diretora relatou as dificuldades da produção de um documentário independente dentro do parlamento, onde houve burocratização para seu acesso, proibição de gravações e até a disseminação de boatos para desmoralizar a produção.

Para Ramos, Dilma não cometeu nenhum crime de responsabilidade. “Acho Dilma absolutamente honesta. Coloco minha mão no fogo por ela”, afirmou. “Talvez a honestidade tenha sido seu maior erro”, completou Muylaert.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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