01/07/2017

Direito de exercer a profissão de jornalista com liberdade é ameaçado em muitos países


Jornalistas muitas vezes podem ter sua liberdade de expressão e direitos de trabalho ou mesmo a própria vida ameaçada. Isso pode melhorar com a mudança da legislação nos países ou com a atuação da sociedade civil e de organizações.


A conversa aconteceu durante painel que tem como proposta a troca de experiências e contatos. Foto: Alice Vergueiro


Por Carolina Marcheti

Emmanuel Colombié é diretor do “Repórteres sem fronteiras”(RSF) na América Latina e sozinho conduziu a palestra “Segurança na profissão”, sobre a importância da proteção dos jornalistas pelos seus respectivos países, no último dia do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, da Abraji. De acordo com ele, não há um sistema perfeito a ser implantado mas há locais onde a legislação é mais favorável. A Noruega por exemplo, é o país que mais defende os jornalistas.




No Brasil, há uma situação sensível, segundo Emmanuel, que poderia ser melhorada com os seguintes pontos: uma legislação federal que proteja o jornalista, fortalecimento do sigilo das fontes e medidas para impedir que os repórteres sejam perseguidos por difamação, por autoridades públicas.

Colombié comenta que é comum jornalistas, principalmente os independentes e blogueiros, ao tentarem denunciar casos de corrupção serem perseguidos por difamação pelo Estado ou por pessoas, o que jamais deveria ocorrer. Ele conta a história de um jornalista no Brasil que investigava casos de pedofilia infantil e frequentemente recebia ameaças anônimas que diziam para ele largar o trabalho. Um certo dia ele foi encontrado decapitado.

Dentro do continente americano, atualmente o México é o país onde os jornalistas são mais ameaçados. De acordo com o palestrante, apenas no ano passado onze jornalistas foram assassinados. A polícia dificilmente investiga esses casos e a impunidade é muito forte.

Um dos papéis do “Repórteres sem Fronteiras” é ajudar esses profissionais de diversas formas, fornecendo dicas de como se proteger, ajudando juridicamente (no caso de perseguição judicial) e em último caso auxiliam os jornalistas a se deslocarem para outros estados ou até países.


A instituição se mantêm com doações públicas ou privadas e com a venda de uma revista, que teve a colaboração de Sebastião Salgado na última edição. 

Ser jornalista em alguns locais atualmente é viver sob risco. Em países como Coreia do Norte, Líbia e Egito a liberdade de imprensa praticamente não existe e o “Repórteres sem Fronteiras” tem buscado agir para proteger os jornalistas em risco.



O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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