01/07/2017

Jornalista precisa descansar para fazer boa reportagem

Angelina Nunes, repórter e professora da ESPM, dá dicas para uma boa apuração
Angelina Nunes (Mulheres 50 mais/Abraji) fala sobre elementos de metodologia do jornalismo investigativo. Foto: Alice Vergueiro.
Por Sara Baptista

Indo contra o senso comum do exercício jornalístico, a repórter e professora Angelina Nunes afirma que momentos de descanso são essenciais para a apuração de reportagens investigativas, que exigem fôlego. Para ela, “as boas ideias você tem quando está relaxado”. 

Esta foi uma das dicas compartilhadas por Angelina durante o painel “Metodologia da reportagem investigativa”, que aconteceu durante o 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

A docente valoriza os momentos de ócio e diz que “jornalista precisa ter vida”, ainda que acredite que os bastidores dos fatos costumam ser mais interessantes. Por isso, “um bom repórter precisa fazer um trabalho permanente de desconstrução do olhar para enxergar além da pauta óbvia”.

Os presentes ao painel ouviram a recomendação de buscarem se qualificar cada vez mais, seja fazendo cursos ou frequentando oficinas e seminários, maneiras de melhorar a forma de trabalhar. Angelina costuma brincar que “a vida real não é um Danoninho”.

Ela enumerou alguns passos essenciais para uma boa reportagem investigativa. Checagem e rechecagem foram apontadas como fundamentais antes da publicação de qualquer reportagem. “Se você cometer um erro pequeno, seja lá qual for, ele vai desmoralizar a sua matéria”, explicou Angelina. Para ela, organização e planejamento também são pontos essenciais na condução do trabalho.

Entre os erros cometidos no exercício da profissão, ela aponta a arrogância, a vergonha de repetir uma pergunta e o descumprimento de acordos como os mais prejudiciais ao bom jornalismo. “Você tem de ser ético”, conclui Angelina.


O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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