01/07/2017

Newsletters cedem espaço ao jornalismo

Painel do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo trouxe a apresentação de dois modelos de reportagem que combatem o excesso de informação e as fake news das redes sociais

As newsletters deixaram de ser apenas recurso de empresa e marketing e viraram ferramenta essencial na difusão de conteúdo. Foto: Alice Vergueiro

Por Agnes Sofia Guimarães

Recurso muito utilizado em publicações empresariais e em marketing de conteúdo de empresas, a newsletter tem se transformado em ferramenta de produção de conteúdo jornalístico. Na palestra “Segredos da curadoria de conteúdo em newsletters”, que aconteceu neste 1º de julho, no 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, dois projetos nessa área foram apresentados pelos jornalistas Pedro Doria e Conrado Corsalette.


Colunista de O Globo, Pedro Doria era editor da publicação quando se viu diante da crise nas redações, que o obrigou a repensar novos caminhos para a carreira. A partir desse desafio surgiu o Canal Meio, serviço de newsletters que há um ano envia gratuitamente aos leitores cadastrados, de segunda a sexta-feira, produções de conteúdo originais sobre acontecimentos que chamam a atenção dos editores do projeto ou que são retirados das principais manchetes de notícias publicadas em outros portais.

O trabalho é realizado com uma equipe enxuta e com textos que não ultrapassam oito minutos de leitura, calculados com a ajuda de um software de contagem desenvolvido para a iniciativa.

Diretor de redação do portal Nexo, Conrado Corsalette apresentou o a_nexo, newsletter que contém notícias de destaque do site e conteúdos de outras publicações.

Além do serviço gratuito para o público em geral, o Nexo também oferece duas listas exclusivas para os assinantes, que aos sábados recebem um resumo dos acontecimentos da semana e aos domingos, sugestões de leituras externas que aprofundam as principais pautas, reforçando o serviço de curadoria da equipe do projeto.

“Nossa ideia era trabalhar com a ressignificação do e-mail. Queríamos ser um complemento do Nexo, uma plataforma explicativa sobre vários assuntos, ao mesmo tempo em que pretendíamos estar de acordo com o espírito do atual momento, quando o leitor não visita mais apenas um veículo de comunicação, mas gosta de ter acesso a vários pontos de vista”, explicou.

Enquanto o a_nexo faz parte do projeto do Portal Nexo de sobreviver de assinaturas, o Canal Meio se mantém graças a um investidor-anjo, e planeja começar a buscar anúncios publicitários. Questionados sobre a concorrência entre as empresas que produzem newsletters e entre elas e os veículos de notícias, Doria e Corsalette foram enfáticos em defender a pluralidade de projetos, que contribuem para a valorização do jornalismo no geral.

Reaproximar, da reportagem, um público que enfrenta rotinas atribuladas e um bombardeamento de informações acaba sendo, ao mesmo tempo, a maior prioridade e a garantia da própria sobrevivência desse serviço. “O mais importante acaba sendo que, no meio de uma realidade em que estamos vivenciando uma descrença em todas as instituições, existe uma mensagem: a imprensa brasileira está fazendo um bom serviço de informar o que acontece no País”, reiterou Doria.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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