01/07/2017

Obstáculos no acesso a dados públicos ainda é um desafio para o jornalismo investigativo

Apesar da existência da Lei de Acesso, órgãos oficiais dificultam a obtenção de informações públicas
IV Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo. Foto: Alice Vergueiro.
Por Thalita Archangelo

A Lei de Acesso à Informação e os portais da transparência são ferramentas públicas que podem facilitar muito o trabalho jornalístico. No entanto, os empecilhos criados pelas próprias instituições acabam frustrando esse exercício, tema de um dos principais debates do time de palestrantes do IV Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo.
As apresentações de artigos acadêmicos durante o último dia do 12º Congresso Internacional da Abraji mostraram como, através do jornalismo investigativo, é possível tratar de temas relevantes e de interesse público, além das dificuldades.

Siumara Gonçalves, recém formada pela Universidade Estácio de Sá-ES, por exemplo, desenvolveu seu trabalho a partir da análise das denúncias veiculadas pelo jornal A Gazeta sobre os supersalários de cargos públicos no Espírito Santo. A reportagem investigativa produzida em três meses chamou atenção da então estudante, que buscou entender como foi o processo de produção do material. A jovem entrou em contato com uma das jornalistas envolvidos no caso, que afirmou ter encontrado grande dificuldade no acesso às informações públicas e aos portais da transparência. Além disso, Siumara afirmou que “o Ministério Público queria barrar a matéria de algum jeito”.

A acessibilidade aos dados também foi tema do trabalho desenvolvido por Ana Capelo, Thays Lavor, Karla Ferreira e Naiana da Silva, do Ceará. Ministrando um curso para 100 conselheiros municipais de saúde do estado, o grupo teve como objetivo apresentar a Lei de Acesso à informação (12.527/2011) do Sistema Único de Saúde (SUS), demonstrando como ela pode ser traduzida para a população e utilizada para melhorias e realização de políticas públicas.

O acesso à informação no Ceará, segundo as participantes, é um processo muito complicado, no qual “o sigilo é a regra e a publicidade é a exceção”.

Já Anelise Dias e Marília Gehrke, ambas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fizeram uma ligação direta entre jornalismo investigativo e transparência pública. A partir da grande investigação realizada pela GDI (núcleo de jornalismo investigativo do Jornal Zero Hora) sobre a utilização de agrotóxicos proibidos, as estudantes apresentaram uma análise sobre os métodos utilizados pelos jornalistas na produção do material. Além disso, bordaram a falta de transparência nas informações públicas sobre assuntos que atingem diretamente a população, como a alimentação.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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