01/07/2017

Repórteres relatam desafio de cobrir transgêneros sem estereótipos

Renata Ceribelli e Bruno Della Latta falam sobre a série “Quem Sou Eu?”, inspirada na história de Alice no País das Maravilhas

Renata Ceribelli e Bruno Della Latta (TV Globo) em painel sobre o especial a respeito de transgêneros. Foto: Alice Vergueiro.
Por Pâmela Ellen

Retratar a realidade da população trans para além da violência, baixa expectativa de vida e questões relativas à sexualidade foi o desafio assumido pelos repórteres Renata Ceribelli e Bruno Della Latta. A dupla buscava uma temática que pudesse atingir o público mais velho e conservador, que não está no ambiente da internet, e viu então a possibilidade de contar múltiplas histórias sobre quem são e como se sentem os transgêneros no Brasil. 
O desafio se transformou na série especial “Quem Sou Eu?”. Os jornalistas contaram os bastidores da reportagem no painel “Transgêneros Para o Grande Público”, no último dia do 12° Congresso Internacional de jornalismo Investigativo.

Os jornalistas tinham receio das críticas do movimento LGBT e de sofrer rejeição do público. Para evitar que isso acontecesse, eles resolveram fazer uma abordagem lúdica, retratando as histórias de forma afetiva, aproximando os telespectadores da vivência dos pais e familiares de trans. “Queríamos mostrar quem são essas pessoas, informar sem levantar nenhuma bandeira”, explica Ceribelli.

O especial usou como base a história da Alice no País das Maravilhas. Ceribelli conta que a escolha da personagem foi feita porque Alice está o tempo todo tentando descobrir quem ela é. A história também inspirou o cenário, desenvolvido ao longo de seis meses com massinhas de modelar e usado para contextualizar questões vivenciadas pelas pessoas trans.

O resultado foi uma série que conseguiu retratar a diversidade presente na realidade da população transgêneros, com depoimentos de pessoas com idades diferentes e em frente a várias vivências. “É um tema jovem, ousado. Mostrar novos conceitos sem pré-conceitos”, afirma Ceribelli, que nota o olhar de estranhamento para quem não se sente homem e nem mulher.

Por falta de conhecimento do que é a transexualidade, médicos transformam a não identificação com o gênero em doença. Além disso, a população trans também enfrenta preconceitos para se inserir no mercado de trabalho. A prostituição acaba sendo a única alternativa possível para a maioria, segundo Ceribelli, o que reforça a necessidade de colocar o tema em pauta.

A série especial pode ser conferida aqui.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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