01/07/2017

Whistleblowing facilita contato direto entre fontes de denúncias e veículos de comunicação

Repórter da ESPN e co-editor da AWP discutem a apuração de denúncias feitas a partir do público e como usá-las em favor do jornalismo para investigar informações públicas

Gabriela Moreira (ESPN) em painel sobre quando o público é a fonte. Foto: Alice Vergueiro.

Por Nathalia Durval


Criar canais seguros para a troca de informações privadas de instituições é desafio para garantir a comunicação entre veículos e o público. Whistleblowing, algo como “soando o apito”, é o termo utilizado para definir a prática de expor qualquer tipo de informação privada de empresas, geralmente relatada por funcionários.

A repórter da ESPN Gabriela Moreira e Pedro Noel, co-editor da Associated Whistleblowing Press (AWC), debateram como lidar com as denúncias e vindas de leitores sem colocá-los em risco e compartilharam exemplos de investigações e histórias a partir dos depoimentos.

O maior dilema neste processo, relatam, é definir o que é pessoal do que é informação de interesse público. Os casos são analisados individualmente pelos veículos, que priorizam a segurança da fonte e a importância do relato para as investigações.

Um exemplo nesse sentido é o canal “Jogo Limpo”, criado pela ESPN para fiscalizar gastos públicos e privados em competições esportivas. A necessidade surgiu após os jornalistas enfrentarem dificuldades para obter informações com órgãos públicos e recebe as denúncias por e-mail. “Resolvemos nos debruçar mais sobre o universo das confederações, da estrutura do futebol e esportes em geral”, justifica Moreira.

“Se comunicar livremente e ter acesso à informação pública são direitos humanos”, afirma Noel, da AWP. A ONG oferece apoio a organizações e jornalistas para receber denúncias e disponibiliza de forma processada e cruzada os dados de documentos e informações vazadas. “Era necessário criar um modelo de centralização para fazer whistleblowing no mundo inteiro. Buscamos legislações que pudessem garantir o direito à confidência das fontes e processos legais para contribuir com isso”, diz.

Não existem definições legais para a prática de whistleblowing no Brasil. “É algo que ataca o centro de um sistema. É normal que o Estado queira se proteger para não deixar que os segredos venham à tona”, diz Noel.

Os jornalistas acreditam que o número de pessoas dispostas a vazar informações aumentou com a facilidade de acesso à tecnologia. “A ideia é que o público comece a colaborar de forma mais ativa com os meios de comunicação”, conclui Noel.

A repórter do BuzzFeed News Brasil Tatiana Farah moderou o debate.

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